Monday, June 30, 2008

O porco do meu marido

Total, completa e absolutamente fora de contexto (aliás o primeiro porquinho já foi fora de contexo, o segundo então). Mas eu PRECISAVA colocar aqui o porquinho do Ricardo.



Ai se ele fizer bebês como desenha porquinhos...

Desabafo sobre o trânsito que me espera em SP

Por que, meu Deus, POR QUE, as pessoas reclamam tanto do trânsito de São Paulo, e ao mesmo tempo, não fazem absolutamente nada a respeito?!?!

Sabe aquele colega de trabalho que você tem, que vive reclamando, mas não sugere absolutamente nenhuma solução para o problema, e você o critica porque acha que ele é um completo inútil? Pois é. É assim que eu vejo o povo paulistano. Sério. Sem exceção, todo mundo com quem eu converso responde da mesma forma à minha pergunta sobre como anda São Paulo. "Não anda" é a resposta unânime. "Está um caos", "São Paulo parou". Mas e aí? O que todos continuam fazendo? Pegando seus carros e se enfiando no trânsito!!! É inacreditável. Repetindo o mesmo caminho todos os dias, por mais tortuoso e dolorido que seja, sem pensar em alternativas. Cadê o raciocínio e inteligência que deveriam ser particulares aos seres humanos?

Gente, bicicleta é uma coisa que pode ser bacana. Andar a pé também. Se o seu trabalho / escola é longe demais, arrume uma carona, acerte um rodízio com alguém. Todo mundo, sem exceção, pode fazer alguma coisa. Organizar rodízios com o pessoal do trabalho ou da escola, por exemplo, é fácil e não tem nem a desculpa de que pode ser perigoso (como no caso do site e-carona, que você se registra e acerta caronas com desconhecidos).
E ônibus e metrô, dependendo do roteiro e do horário, podem não ser tão ruins assim.
Eu sou preguiçosa. Não faço o tipo esportista. Mas eu prometo que quando estiver aí, vou procurar caronas e / ou caroneiros e de preferência, um trabalho perto de casa.

Outra coisa: as empresas podem muito bem começar uma cultura de priorizar contratações de pessoas que morem na região. Imaginem que lindo se todas fizessem isso. Nenhum carro na rua, muita gente andando na calçada. Lindo.

Por fim, sim, ter um sistema de transporte público eficiente ajudaria muito, ter metrô por São Paulo inteira seria um sonho. Mas ficar esperando isso acontecer e reclamando que não acontece é que não dá. O poder e a força da união das pessoas em uma comunidade fazem milagres. Que tal tentar?

Pronto, falei.

O meu porquinho

Esse veio do Coloca na Van. Desenhe um porquinho e descubra sua personalidade. Eu acho engraçado a gente procurar pessoas / testes na internet para que eles nos digam qual é a nossa personalidade, afinal nós deveríamos ser os primeiros a saber. Mas enfim. Achei meu porqunho bonitinho.



Teste aqui.

Tuesday, June 24, 2008

Globalização pouca é bobagem

Domingo de sol e calorzão de 15 graus.

Você resolve aproveitar o verãozão e ir pro parque mais próximo.

Você chega no parque, lotadaço, e começa a procurar uma vaguinha. Depois de muita paciência, encontra seu pedaço de grama ideal, sem bitucas de cigarro, sem penas de patos, sem cocôs de pombas etc.

Estica a toalha.

Olha pros lados pra analisar o território.

Pensa: "nossa, que bizarro mesmo que é este verão, tá todo mundo tomando sol de casaco!" ao perceber que o grupo logo ao seu lado está assim e do outro lado tem uma menina coberta por uma manta.

Você decide que aquilo pode dar post e tira umas fotos disfarçadamente.

Chega em casa, escreve o post, publica as fotos.

Alguns dias depois, sua tia que mora nos Estados Unidos entra no blog, vê o post e deixa um comentário dizendo que a menina da foto (do grupo de encasacados) é a sobrinha dela que está estudando em Londres.

:-P

Qual é a chance de isso acontecer?
Eu poderia ter ido em qualquer outro parque, sentado em qualquer outro lugar, poderia nem ter tirado a foto, poderia ter tirado foto de outro ângulo, ela ia aparecer de costas e ninguém ia saber. Mas não. Eu tirei foto exatamente da menina que é a sobrinha da minha tia (mas que não é minha prima, enfim, vocês entenderam), e justo da tia que entra no blog, já que de dezenas de tias poucas entram, um blog que nem é famoso nem nada e que deve ter uns 10 leitores de acordo com o último censo.

Que mundo é esse, meu Deus???

:-O

PS: Oi tia Teca! Que bom saber que você entra aqui no blog! Como você já deve ter percebido, não, eu não conheço a Juliana, foi uma (enorme, gigante, monstruosa) coincidência. Será que ela me autoriza a manter a foto aqui? Vamos tentar falar pelo Skype!

Monday, June 23, 2008

Felicidade

Quer me ver feliz?

1) Venha me visitar (enquanto é tempo)
2) Traga uma sacola com sonho de valsa, chumbinho, bis e palmito.

Foi o que as fofas da tia Marilia e da Luiza, leitoras e comentaristas deste blog que vos fala, fizeram. Aquela frase, de que a felicidade está nas coisas mais simples, nunca me pareceu tão verdadeira.

Jantei uma saladona com palmito - acreditem, foi um sonho - e de sobremesa, os chumbinhos. De virar a cabeça e abrir a caixa em cima da boca, sabem? Assim mesmo. E agora vou dormir feliz.

O problema é que as duas agora estão passeando em Londres e com isso eu perdi 30% dos comentários do blog.

Mas valeu a pena.

Friday, June 20, 2008

Ah, o verão inglês!

Verão na Inglaterra é assim. Abre um solzinho entre as nuvens, a temperatura ultrapassa os 15 graus e pronto - é uma coisa de louco. Não se vê mais a grama dos parques. Você pode passar na Park Lane, que marca uma das laterais do Hyde Park, e olhar o gramado lá dentro do parque, a qualquer hora que quiser: 10 da manhã, meio-dia, 3 da tarde, 8 da noite, e vai estar do mesmo jeito, coberto por uma multidão de ingleses sedentos por vida ao ar livre - sem se molhar - esse último representando a verdadeira raridade do momento.

Mas foi só recentemente que eu descobri que não se trata de fazer calor(zinho). Trata-se de um caso seríssimo e centenário de verão psicológico coletivo. Não importa realmente a temperatura. Importa que estamos no mês de junho. E mês de junho é verão. E ponto. Hora de ir por parque.

Aí você chega no parque, achando que vai ter o maior dia de sol da sua vida, depois de intermináveis meses de inverno, que agora sim você vai matar um pouco de saudades do clima tropical, que afinal a vida aqui não é tão má assim com exceção de 6 meses anuais de frio... escolhe a dedo seu pedacinho de grama, deita e... olha pro lado. E vê uma turma de amigos sentados conversando. Todos de casaco.



Aí você olha pro outro lado. E vê uma moça tomando sol coberta - até o nariz - por uma manta.



Aí você desiste.

Wednesday, June 18, 2008

O que estão falando por aí...

... de São Paulo. Matéria publicada no The Daily Telegraph em 17 de junho de 2008.



São Paulo: My kind of town
DJ Pete Tong

Why São Paulo?
São Paulo for me is the New York of South America. Flying in is one of the most precarious landings in the world – it seems as if you’re skimming the rooftops.
It’s a sprawling city, and from the air it looks more like Mexico City, with buildings as far as the eye can see. Like New York, it has an incredible buzz, but here it feels as if the inhabitants have cut themselves off from the rest of the world.

What do you miss most when you're away?
Definitely Maresias, a fantastic beach east of the city. It’s a 90-minute drive, but well worth it. It has a beautiful beach area and one of the most famous clubs in the world, The Sirrena. Eccentric resident DJ Carlo Dall’anese plays a mishmash of music. With amazing views of the sea and an exceptional sunset, it’s very much like Ibiza’s Space, but by the sea. Every top DJ has played there.

What's the first thing you do when you return?
Head straight to Crystal for coffee and cake. It’s a quaint little coffee shop in the heart of Jardins and serves exquisite cakes with custard and delicious coffee. Right in the fashion centre, it is brilliant for people-watching – and Brazil boasts some of the most beautiful people in the world.

Where's the best place to stay?
The Fasano Hotel (0055 11 3896 4000; www.fasano.com.br; doubles from around £250), for me, one of the best five-star boutique hotels in the world. The Fasano family have been hoteliers and restaurateurs for more than 100 years and they clearly know what they are doing. Designed by Isay Weinfeld and Marcio Kogan, the building is an audacious recreation of Thirties style – cool and understated. They even imported bricks from London to complete the hotel’s façade.
The Emiliano (3068 4399; www.emiliano.com.br; doubles from around £230) is the little brother hotel, and equally as impressive.

Where would you meet friends for a drink?
On the roof of the Unique Hotel (Ave Brigadeiro Luis Antonio, 4700, Jd Paulista; 3055 4700), which is where most of the international DJs stay when they play in the city. It has startling architecture and looks like a bat or a squashed letter N. For its part, the roof looks like a landing strip and boasts an unparalleled view of the city.

Where are your favourite places for lunch?
Go to Rodeio (Rua Haddock Lobo 1498; 3474 1333; www.churrascariarodeio.com.br) and try troseceroa, basically meat on skewers, but a very upmarket version. You cook it at little grills on the table. The restaurant has the feel of an old gentleman’s club. Having served the same menu for years, they have perfected every dish, and welcome a mix of families, wealthy guests and a young fashion crowd.

And for dinner?
I love Gero (Rua Haddock Lobo 1629; 3064 0005), a very cool and authentic Italian restaurant that could be straight out of Milan. It’s another great spot for people-watching, drinking wine and soaking up the atmosphere.

Where would you send a first-time visitor?
To the Bienal of Art (www.bienalsaopaulo.globo.com), an amazing presentation of modern art and a great place to lose yourself. With stunning parks and two spas it’s also a wonderful part of the city. This year’s Bienal begins on October 26.
What would you tell them to avoid?
The main advice I would give is don’t be ostentatious. It might sound obvious, but if you walk around dripping in gold you are asking for trouble.

Public transport or taxis?
Taxis – they’re cheap, and easier than buses.

Handbag or moneybelt?
Pockets are fine – but take the usual precautions you would in any big city.

What should I take home?
Nhá Benta chocolate marshmallow: the Latin version of marshmallow is huge in Brazil and delicious.

And if I've only time for one shop?
I love Osklen (Rua Oscar Freire 645; 3083 7977; www.osklen.com) which sells eco-friendly fashion; it’s not unlike Abercrombie and Fitch.

Wednesday, June 11, 2008

A carta que eu recebi hoje...

... da Polícia Metropolitana Londrina. Ah, como eu amo os ingleses nessas horas.



E aí eu penso na PM paulistana...

Monday, June 09, 2008

Do individual para o coletivo

Em 27 de março eu coloquei aqui no blog um link para uma crítica que eu escrevi sobre um texto do Marinho, colunista do Bluebus. O texto falava de uma forma bem elitista de uma promoção da Lacta de ovos de páscoa. Mas não importa. O mesmo Marinho publicou hoje um texto super interessante sobre tendências - e que tendências - descobertas por uma pesquisa da Mastercard. Segue mais ou menos a mesma linha do que eu fico falando aqui no blog, essa tendência "do bem", maior do que de cores, de marcas, de produtos, mas sim de um comportamento em geral das pessoas que vai em breve direcionar as campanhas de marketing, as criações de novos produtos, a organização das cidades e estrutura do planeta. O Marinho colocou isso como uma tendência de se passar a pensar e a agir coletivamente, e não mais individualmente. Talvez essa seja mesmo a raiz da coisa, a essência que eu estava procurando, pois dela surgem outras infinitas vertentes de atitudes positivas.

Aqui, o texto original, e abaixo, pros preguiçosos ;-)

"Marinho | Sociedade individualista começa a pensar no coletivo
11:19
A campanha 'Priceless', criada há 11 anos pela McCann de Nova Iorque, já faz parte da história da propaganda, em minha opiniao - leia aqui coluna anterior sobre o tema (23/4). O que nem todo mundo sabe é que para chegar às coisas que o dinheiro nao compra (para todas as outras existe MasterCard, lembra?) foi feita uma pesquisa interessantíssima, com o objetivo de descobrir o que realmente importa na vida das pessoas - os tais momentos que nao tem preço. Na 6a feira conversei com Cristina Paslar, diretora de marketing da MasterCard, que me contou os resultados da última onda dessa pesquisa, chamada 'What Matters' (O que importa). De acordo com a Cristina, o estudo apontou 3 tendências principais - a busca pelo aprendizado contínuo, a redefiniçao da idéia de futuro e a mudança do eixo do 'Eu' para o 'Nós'.

-A pesquisa mostrou que, como consequência das exigências do mundo atual, as pessoas incorporaram de vez a idéia de que o aprendizado tem data para começar (e começa cada vez mais cedo, muitas vezes a partir de 1 ano de idade) mas nao para acabar. A classe média e os brasileiros de baixa renda almejam alcançar a universidade ou proporcionar isso aos seus filhos, enquanto a elite coleciona MBAs e cursos de extensao, na tentativa de facilitar a trajetória profissional. Isso inclui também fontes de conhecimento informais, tais como viagens, exposiçoes e leituras. Uma vertente desse movimento compreende ainda a busca pelo autoconhecimento e o equilíbrio pessoal.

-Mas se o presente é marcado pela ferrenha competiçao por um lugar ao sol e pela compensaçao consumista proporcionada pelas marcas e produtos supérfluos, o passado continua sendo idealizado, numa oposiçao que explica o sucesso dos movimentos nostálgicos - pense na volta das bandas jurássicas, dos heróis das nossas velhas histórias em quadrinhos e de personagens como Rocky e Indiana Jones e você compreenderá melhor a abrangência da onda retrô. A novidade fica por conta da idéia de futuro que anda frequentando as cabeças dos passageiros dessa nave desgovernada chamada Terra. O consumo, que hoje define essa nossa sociedade do excesso, começa a ser questionado e conceitos como equilíbrio, sustentabilidade e responsabilidade social já encontram espaço em coraçoes e mentes brasileiras.

-De todas as tendências, porém, a que mais me interessou foi a migraçao do pensamento individual para o coletivo. Especialmente porque o que se vê por aí é justamente o contrário - fartas manifestaçoes de narcisismo, materialismo e individualismo, principalmente entre os jovens. A pesquisa detectou, entretanto, o início de esgotamento desse estilo de vida feérico e estressante que caracteriza a sociedade moderna. As pessoas estariam progressivamente percebendo que o sacrifício de permanecer conectados, atualizados e multi atarefados 24 horas por dia, 7 dias por semana, nao está trazendo os retornos esperados e se perguntam aonde isso tudo as estaria levando. Afinal, sem tempo para cuidar de si mesmo, esse pessoal sente que seus sonhos e ideais estariam em suspenso. Daí viria a disposiçao de olhar com mais atençao para a família, os amigos, o prédio, o bairro, o país e o planeta.

-Saí do encontro com a Cristina Paslar pensando - ver a sociedade finalmente descobrir que a felicidade pessoal nao pode ser completa se as pessoas em volta nao estiverem também felizes, isso sim nao tem preço.
Luiz Alberto Marinho"

Saturday, June 07, 2008

Minha quinta-feira...

...Foi tipicamente londrina. Ou seja, surreal.

Logo de manhã, recebemos pelo celular um sms avisando que a linha de metrô que passa aqui na esquina estava bloqueada entre algumas estações devido a "uma bomba da segunda guerra mundial não-explodida", que os policias estavam desativando. What?!?! Isso mesmo. Segue a mensagem original:

"Hammersmith & City line suspended between Whitechapel and Barking whilst an unexploded World War II bomb is made safe at Bromley By Bow at the request of the Police."

:-P

Até agora eu não consegui entender se se tratava de uma tentativa de atentado terrorista (por parte dos veteranos da guerra ou algo assim), ou o quê. Não achei nenhuma notícia sobre o assunto, então concluí que não deve ter sido grave e que eu podia dar risada da (no mínimo) bizarrice da mensagem.

Até que na hora do almoço, uma amiga liga de última hora e vou almoçar com ela num proper restaurant, o que é uma raridade já que quase sempre é sanduba no balcão. O restaurante, a algumas quadras da Embaixada, em Mayfair, fica numa esquina e é todo envidraçado. Eu sentei de frente pro vidro - ou seja, pra rua, e ela de frente pra mim, costas pra rua. Conversa vai, conversa vem, eu bato o olho num senhor peculiar, sentado no banco de trás de um carrão com motorista, vidro aberto, cara quase pra fora curtindo o solzinho, fumando seu cigarrinho, de bem com a vida.
Eu: "Val, olha só, aquele cara não é famoso?"
Ela (olhando pra trás): "Nossa Lu, é o cara dos Rolling Stones!"
O cara dos Rolling Stones vê a gente olhando. Abre um sorrisão. Começa a dar tchauzinho. Aponta pro céu (milagrosamente azul) e começa a fazer sinais de positivo, sorrindo, aponta pro céu de novo, sorri de novo, faz sinal de positivo de novo.
Ele estava muito feliz com o tempo bom. Eu entendo ele.
Nós duas, meio histéricas, começamos nos comunicar com ele por sinais desesperados, porém tentando calar a boca e não gritar - estávamos separadas da rua por uma parede de vidro e o resto do restaurante não precisava se alarmar.
Chega a comida.
Nós, agora profissionais na arte da linguagem de sinais, apontamos pros pratos e convidamos o cara dos Rolling Stones pra vir se sentar com a gente.
Ele, tão bom quanto na linguaguem dos sinais, diz que não, agradece, e nos chama pro carro dele. Tipo assim: "nananinanão, vocês é que vêm aqui comigo".
A gente vai.
Brincadeira.
O carro anda e ele continua dando tchauzinho, todo sorridente, até sumir na esquina.

Agora me digam. Qual é a chance de você estar almoçando, aparecer um cara dos Rolling Stones e te chamar pro carro dele?



Tá aí meu novo ídolo, o cara mais simpático que eu já vi: Ron Wood, guitarrista dos Rolling Stones.

Wednesday, June 04, 2008

Boa notícia

Todo dia eu recebo no meu email da Embaixada um clipping com as notícias que saem na mídia Britânica sobre o Brasil. Normalmente esse é o meu momento diário de tristeza e desânimo: a grande maioria das notícias é sobre violência, fulano que morreu baleado, ciclano que morreu assaltado, beltrano que morreu sequestrado. Ultimamente um outro assunto apareceu nas manchetes, e me incomodou ainda mais, por ser inédito e absurdo. A tal da lei que volta às práticas de desmatamento da Amazônia de décadas atrás, em pleno aquecimento global, no exato momento em que o mundo todo está voltado ao Brasil e à Amazônia. Ao invés de agarrar essa oportunidade para mostrar ao mundo que o país é capaz de cuidar do que é seu, fazem exatamente o contrário. Vergonha.

Mas hoje tinha uma notícia boa. Que me deu o maior orgulho mesmo não tenho ligação direta nenhuma com o fato. O Banco Real acaba de ser premiado pelo Financial Times como o banco mais sustentável do mundo em 2008. Além de ser o maior orgulho por si só, o prêmio também veio em boa hora, pra mostrar que o Brasil não é só um país irresponsável, cheio de gente burra e despreparada, e que tem sim gente bem-intencionada e competente fazendo alguma coisa.

Fui lá dar uma espiada no site do Real. Eu não sei direito o que eu estava esperando, mas com certeza era algo menos tangível do que encontrei. Não é que eles oferecem até oficinas sobre sustentabilidade, gratuitas, abertas ao público em geral? As oficinas começaram como treinamentos para funcionários e acabaram se tornando um serviço para a população. Tá aí uma ótima proposta pra quem queria começar a fazer alguma coisa sobre o assunto e não sabia por onde. Além das oficinas, o site oferece um monte de dicas, informações úteis, agenda com outros cursos de interesse geral e gratuitos em São Paulo além de oferecer outras palestras. Gostei.

Entrem lá: Banco Real

E parabéns! (Se algum funcionário do Real aparecer aqui no blog, e souber de alguma vaga aberta, lembre-se de mim ;-))

Wednesday, May 28, 2008

O movimento mundial pela gentileza

Sem desculpas. Sem explicações. Quanto mais a gente fala, mais a gente acentua o próprio defeito, certo? O meu é ficar dizendo que vou escrever. Quanto mais eu digo isso, menos eu escrevo. Mas eu tinha que ao menos tocar nesse assunto - o do sumiço -pelo menos mais esta vez, porque eu preciso, mais uma vez, citar a (segunda) bronca que a Paula me deu. É uma delícia levar bronca assim, de quem sente falta de você. Mas além de consideração pela minha leitora mais militante, estou dizendo tudo isso para introduzir o assunto principal deste post. Que não é o meu sumiço, mas sim um movimento interessantíssimo sobre o qual eu já tinha ouvido falar há um tempão - e ontem a Paula me fez lembrar dele, não com a bronca, mas com um gesto. O movimento mundial pela gentileza.

Sim, esse movimento existe. Eu li sobre ele há algum tempo na revista Vida Simples, e desde então de vez em quando me vejo em alguma situação que me faz lembrar dele, tão simples que quase confunde com um movimento bobo de quem não tem o que fazer. Ele é isso mesmo, e nada mais do que isso: um movimento de pessoas que acreditam que a gentileza é capaz de tranformar o mundo, e ele se resume em pessoas repassando essa mensagem, assim como eu estou repassando, aqui. E agindo de acordo, claro. É assim: você começa a prestar mais atenção nas suas atitudes, começa a ser gentil com as pessoas, de graça, mesmo. E pronto, já está fazendo parte do movimento. É mágico como as pessoas começam a responder com a mesma gentileza, e ficam tocadas. E assim começa um movimento altamente transmissível e absurdamente eficaz. Pra não ficar tão abstrato, tem até uma página dedicada a ele no site da Associação Brasileira de Qualidade de Vida, aqui.

Mas o que a Paula tem a ver com isso? A Paula pode nem conhecer o movimento, mas sem saber já faz parte dele. Ontem chegou em casa um envelope endereçado aos "Loews na Europa". Dentro, bilhetinhos e um mini-envelopinho para cada um dos Loews que estarão por aqui e visitarão a gente no próximo mês, além da gente mesmo, é claro. A Paula estava lááá no Japão, e não só se lembrou de comprar lembrancinhas fofas pra cada um de nós, os primos-do-marido-dela, como se deu ao trabalho de fazer cartinhas fofas e mandar pra cá. Não se trata de gastar dinheiro comprando presentes pros outros. É o gesto de se lembrar, é o gesto de mandar, é o gesto de fazer tudo de um jeito mais fofo. Afinal, tudo na vida a gente pode fazer daquele jeito, que todo mundo faz, ou de um outro jeito, especial, com um toque de gentileza que não custa nada, mas tem o poder de transformar o mundo.

Thursday, May 01, 2008

O meu sumiço + o pote de molho

A bronquinha que levei da Paula hoje, com toda razão afinal como ela mesma disse só a própria já deixou 3 comentários no mesmo (e último) post aqui embaixo, finalmente me fez respirar fundo e encarar a tela branca de um novo post de novo.

Eu disse pra Paula que estava com branco, sem assunto, e isso somado à correria é fatal: preguiça é uma progressão geométrica, ela não soma, multiplica, e quando a gente vê tá há anos sem fazer alguma coisa. Não que eu não goste de escrever aqui. Eu adoro. Mas a coisa começou com uma sincera falta de tempo, que se transformou em comodismo quando o tempo voltou a estar disponível. É a velha história do "amanhã eu começo o regime". Amahã eu escrevo no blog. E o amanhã nunca chega. E a gente não percebe que aqueles diazinhos viraram semanas.

Enfim.

Também não é verdade a falta de assunto. A gente pode ter a impressão de que nada está acontecendo, mas está, a gente é que deixa de enxergar. E foi só eu responder pra Paula no msn que estava com branco que me lembrei da nota fiscal e da embalagem que o Ric colocou na minha bolsa de manhã.
Ontem fomos no Sainsburys, o nosso super supermercado. E pela primeira vez eu cheguei em casa e notei que um dos molhos que eu tinha comprado estava com a data vencida. Eu sempre presto atenção nas datas, porque ao congelar eu anoto a data da compra na embalagem (viram, sou uma dona de casa exemplar e cheia de dicas)- normalmente os congelados devem ser consumidos em até 1 mês de quando foram congelados, ou seja, da data de compra (tem que congelar no mesmo dia). Mas voltando, o tal molho vencia dia 29 de abril, e era dia 30. Um erro pequeno, não tão sério, mas aqui a gente fica com essa sede de justiça, esse senso apurado do que é correto e o que não é. E sabe que vai ser escutado se reclamar. Então, hoje de manhã, o Ric colocou o papel que embalava o potinho junto com a nota fiscal na minha bolsa pra eu poder ligar.

Liguei lá no telefone que estava na embalagem. Ótimo, era daqueles telefones "faz tudo": qualquer problema que você tiver é só discar o número correspondente, sem ter que ficar horas lidando com um menu eletrônico pra depois descobrir que o número para reclamações é outro que, claro, vai demorar mais horas para atenter porque, afinal, sabe que se trata de reclamação. Fui atendida em uns 2 segundos após discar o número. Que não era o número da reclamação, era o número pra falar com a atendente, aquele dos casos que não são citados no menu. Até levei um susto quando ela atendeu. Eu estava preparada pra ficar ouvindo musiquinha por um bom tempo.
A moça era uma simpatia. Me senti amiga dela na primeira frase. Ela perguntou meu nome e não é que, em seguida, soltou um "How can I help you, Luciana" pronunciando o "Luciana" direitinho, do jeito que eu falei, e não o "Lutiána" que os ingleses insistem em dizer apesar de eu não ser italiana e sim brasileira e eles saberem disso e eu ter pronunciado meu nome umas 10 vezes. Eu contei pra moça simpática que eu fui no supermercado ontem e quando cheguei em casa vi que um dos produtos estava vencido. "Oh I'm so sorry LUCIANA". Em poucos minutos informei meu endereço, nome, código de barras do produto. Ela acessou a central dela, confirmou o valor que eu tinha pago (£ 1.99) e pediu desculpas novamente porque não podia fazer reembolsos abaixo de £ 5 então se eu aceitaria receber um vale de £ 5 pra compras ao invés do reembolso de £ 1.99. Não, não me importo. E muito obrigada pelo atendimento. Eu tinha que agradecer. Não é toda hora que isso acontece com uma brasileira acostumada a ser desrespeitada, foi mais forte que eu.

Fiquei até triste quando desliguei, tava bom o papo.

Monday, April 14, 2008

45 dias em imagens


Tudo começou quando a reforma do banheiro, que duraria 4 dias, durou 20. Pelo menos conhecemos uma nova vizinhança e nos lembramos da sensação de estar nas alturas, quando ficamos na casa do senhorio (vulgo landlord) enquanto os pedreiros sumiam com nossos utensílios culinários e o responsável esquiava na Suíça.


Acampada na casa alheia, aconteceu o meu primeiro grande evento do ano, justo nas lendárias Casas do Parlamento Londrinas. E lá fui eu uma noite antes pegar vestido, meia calça e casaco no armário-trancado-pra-proteger-do-pó da reforma em casa, voltando pra casa temporária a pé carregando as tralhas pro evento do dia seguinte. Sem contar as bexigas e presentes do aniversário do Ric, que seria um dia depois do evento. Toda uma logística.


A reforma terminou just on time para começarmos a receber nossas visitas. Primeiro veio o James, depois de uma temporada de estudos em Florença. Dessa vez o tchau foi sério, e ele voltou pro Canadá pra ficar. E a saudade já tá dando umas pontadinhas no coração.


Em pleno caos ganhei ingressos para o amistoso Brasil x Suécia no estádio do Arsenal. Não só o jogo foi amistoso (até demais) como a torcida também. Legal ver com os próprios olhos que dá pra juntar 60.000 pessoas em um evento bem-organizado e bonito.


James sai, pais entram. E junto com eles a primavera mais fajuta da história. E nós vimos neve da janela do quarto, tingindo de branco os jardins e telhados.


E eu me emocionei, briguei, fiz as pazes, abracei, chorei de alegria e de saudade com meus amados e lindos pais aqui comigo.

Ufa.

Só pra finalizar

Com um pouquinho de atraso, talvez com o timing um pouco vencido, gostaria de publicar um outro e-mail que recebi sobre o assunto saúde, da Paula. É um contraponto interessante ao do Marcos, sem discordar, apenas desenvolvendo um pouquinho mais a questão e mostrando o ponto de vista de outro setor relacionado (a Paula é engenheira de alimentos). Ah. E eu concordo com todos. E estou adorando essa participação e principalmente ver que tem sim, gente pensando com carinho no Brasil.

Segue o email, que eu não quis editar apesar de longo. Tenham paciência e leiam, prometo que é o último ;-)

"Concordo quando se estabelece a relação entre o custo de um número num fast food ao salário médio brasileiro e o americano. Aqui, $5 a $10 dólares compra pouca comida boa, mas muita comida gorda e ruim, o que acaba atraindo pessoas que não recebem um salário muito alto e tem que se alimentar de coisas mais calóricas para poder fazer um trabalho árduo durante o dia. Ao contrário, R$10 no McDonalds é luxo no Brasil.

Mas não acho que, mesmo hipoteticamente, o aumento ao acesso a esse tipo de produto como consequência do aumento de renda faria com que a nossa população engordasse mais e pudesse ter acesso às academias com convênios. Hoje nós já temos uma grande parcela da população no Brasil que está (bem) acima do peso. Infelizmente, grande parte dela também é a que se encaixa nos problemas citados como doenças cardíacas e câncer, simplesmente porque uma giga parte da nossa população não tem acesso a informação.

Muitas bolachas e biscoitos são enriquecidos não somente para atrair mães com consciência das necessidades das suas crianças, mas porque muitas pessoas pobres se alimentam dessas bolachas, que ainda são mais baratas e práticas do que um prato de comida. No boom das gorduras trans, as empresas de alimentos correram que nem doidas atrás de alternativas para o problema, mas não adianta. Muita gente que compra não faz a menor idéia do que eram as trans e continuariam comprando do mesmo jeito. Porque é gostoso, prático, não demanda tempo e é barato.

E mesmo com a justificativa que eu li, ainda acho que o movimento pró convênio entre academias e planos de saúde funcionaria, pois é só pensar quais planos de saúde teriam esses convênios. O número de beneficiários de planos de saúde é muito pequeno em relação a população total, ou seja, são as pessoas que tem dinheiro para Mc, frutas, cozinheiras e academia que usam plano de saúde. Entretanto, isso não elimina o benefício dos planos incentivarem hábitos saudáveis, já que economizariam dinheiro. Aliás, já o fazem pagando exames preventivos e check ups.

Eu já trabalhei em indústria e acho que esses planos com convênios não teriam grande apelo para seus funcionários menos graduados, pois qual a vantagem de ter um desconto em academia para um funcionário que exerce um trabalho braçal durante o dia todo? Somente profissionais que ficam sentados durante seu trabalho, na frente do computador, com um grande trabalho intelectual se interessariam por esse tipo de serviço. E quem são essas pessoas? Nós.

Mais um vez enfrentamos o grande problema da diferença social, em que conseguimos concluir que excluindo uma parcela da população, algo que funciona por aí, também funcionaria no Brasil. (suspiro)... será que um dia isso muda?"

Thanks Py e Marcos, acho que vou contratar vocês pra um blog-fórum de discussão!

Wednesday, April 09, 2008

A saúde no Brasil

Esse foi o e-mail que recebi do Marcos, de uma seguradora da área de saúde, em resposta ao meu post, abaixo, sobre a nova geração de planos de saúde que está crescendo por aqui.

Achei o texto do Marcos super esclarecedor e porque não, um ótimo tema para reflexão não só sobre a saúde em si mas sobre o permanante lugar que o Brasil ocupa sempre um passo atrás de outros países. Mas neste caso, é um lugar atrás que poderia, num golpe de mestre, virar na frente. Explico: de acordo com o e-mail do Marcos, em termos gerais, a saúde no Brasil é melhor do que nos países desenvolvidos porque o Brasil é mais pobre e a renda das pessoas não permite chocolate e fast-food. Quando os países ficam ricos, as pessoas ficam gordas, e planos de saúde geniais aparecem. O caminho natural do Brasil seria enriquecer, engordar, e depois criar planos de saúde geniais para emagracer todo mundo e chegar no ideal do país rico e saudável, provavelmente 15 ou 20 anos depois de os países desenvolvidos terem alcançado isso. Então, por que não, com essa previsão em mãos, enriquecer e educar ao mesmo tempo, pular uma etapa e finalmente deixar de estar sempre para trás?

Segue o texto.

"Aqui o pessoal começou a desenvolver planos neste sentido. Essas ideias simpáticas vieram todas de um livro que todo o setor de saúde no mundo usa e se chama "Redefining Healthcare" do Porter.

Esse tipo de ação é muito boa mesmo, porém os incentivos para a adoção delas no Brasil ainda são muito baixos.
Em especial no Reino Unido uma parcela substancial das "medical claims" estão relacionadas à procedimentos complexidade média e doenças diretamente causadas pelo estilo de vida da população. A exemplo da obesidade e alcoolismo que acarretam em doenças cardíacas, diabetes e algumas formas de câncer.

Aqui em território tupiniquim a maioria de nossas "Claims" estão relacionadas à catarata, câncer de mama, doenças pulmonares e eventos em pronto-socorro.

Por incrível que pareça a dieta brasileira e nossas praticas sociais propiciam um estilo de vida mais saudável. Mas com a evolução do perfil sócioeconomico e aumento da renda, é bem provável que em cinco anos nossos perfil de atendimento médico se assemelhe mais ao dos britânicos.

Outra coisa que os britânicos fazem que é bem legal, e inclusive alguns MP's estão tentado impor via lei, é a passagem periódica e obrigatória das pessoas em seus General Practitioners para a identificação de patologias em estágios iniciais assim como "assessing probable health risks".

...

Ele (o setor de saúde) se assemelha mais ao modelo de negócio de seguradoras, ou seja, todos os incentivos a mudanças e inovações estão relacionados à quantificação de probabilidades de ocorrência de determinados eventos.
Então usando aquela lógica do "Freakonomics" para termos academias subsidiadas por planos de saúde precisamos abrir vários McDonalds, Burger King, Arbys, Starbucks e isentar a Elmma Chips de ICMS, PIS e CONFIS.
Outra coisa que poderia ajudar seria contratar estes fornecedores para fazer a merenda escolar de escolas públicas, lógico que não poderíamos esquecer que colocar vending machines da Coca-cola em todas as escolas.
Aí seria só uma questão de tempo para conseguirmos que mais de 50% da população entre 5-10 anos de idade, 30% entre 10 e 20 anos, e , 40% da população acima dos 30 anos estivessem acima do peso e hipertensas. Deste ponto em diante teremos Cia Athletica e Fórmula a preços próximos dos R$50,00."

Conclusão: esqueçam a academia de graça, vamos deixar assim mesmo como está.

Friday, April 04, 2008

Bom pra todo mundo

É de idéias assim que o mundo - os consumidores e os profissionais - precisam para se entender melhor.
Eu já tinha visto por aqui propaganda de plano de saúde dizendo que dava desconto em academia de ginástica. Achei que fazia sentido, afinal se você se exercita você tem menos chances de ter doenças, portanto o plano acaba gastando menos com você.
Mas acabei nem pesquisando sobre o assunto.
Hoje fui almoçar com uma amiga que é malhação-maníaca e ela me contou que o plano de saúde do marido dela (fornecido pela empresa dele) não só paga pela academia dos dois como vai dando descontos na mensalidade de acordo com o uso da academia. A partir de 2 vezes por semana, já tem desconto. Eu já estava achando o máximo da genialidade quando ela me contou que não pára por aí: ela também acumula pontos no supermercado quando compra frutas e outros produtos benéficos ao organismo, e esses pontos vão se convertendo em mais descontos no plano.
É genial. É do bem. A seguradora economiza, o consumidor economiza, e as pessoas ficam muito mais saudáveis.
Eu só queria entender por que no Brasil, o país do plano de saúde particular, isso ainda não funciona assim. E os planos continuam pagando toneladas de consutas médicas particulares absolutamente substituíveis por uma voltinha de bicicleta ou uma caminhada para o trabalho.

...

Sem contar que ainda ia melhorar o trânsito das cidades, que pelo jeito anda (ou melhor, não anda) bem complicado. Mas é que brasileiro é assim, fica parado horas dentro do carro com medo de assalto mas não vai a pé de jeito nenhum.

Wednesday, April 02, 2008

Brits - post 1

Eu nunca vi um lugar que reunisse melhor e de forma mais fofa todas as características dos ingleses como este livrinho que eu comprei. Vejam através desses posts (vou colocar um ou dois de vez em quando), como esse povo é simpático e porque é que eu gosto cada vez mais deles.

:-)

Brits - post 2



Mas a melhor de todas as características é como eles sabem maravilhosamente rir de si mesmos. (foi um inglês que fez)

Tuesday, April 01, 2008

Ausência por motivos nobres

Meus pais estão aqui. Finalmente, eles estão aqui. Não sei como é a relação das outras pessoas com seus pais - acho que tem de tudo nesse mundo. Mas a minha é uma coisa louca, um cordão umbilical eterno que estica mas não rompe. Quando cheguei em Londres há um ano, não exagero se digo que 90% das coisas que eu via me faziam pensar nos meus pais. Se eu ia numa papelaria bacana - paixão que eu e minha mãe compartilhamos - pensava imediatamente nela. Difícil era não sair comprando tudo pra mandar pra ela, porque a vontade era essa. E toda vez que eu entrava numa mercearia, supermercado, food hall, ou qualquer outra variação do tão universal comércio de comidinhas especiais - paixão que eu e meu pai compartilhamos - era a mesma loucura.
E um ano se passou assim. Com as papelarias, com as comidas, e com todas as outras coisas legais que tem aqui pertencentes às mais diversas categorias de produtos. Eu queria estar dividindo com eles tudo o que estava vendo, conhecendo, sentindo, e que o skype e o msn não me permitiam.
E agora eles estão aqui.
E eu já me esqueci como é viver longe deles, e como é que sou capaz disso durante tantos meses ao ano.