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Friday, September 26, 2008

Onde a gente se meteu

Quem é que gosta de corretores imobiliários? Poucos. Coitados deles, afinal existem exceções como em qualquer outra generalização. Mas os corretores têm uma fama ruim, bem ruim, e vamos combinar que muitos deles merecem. Sabemos que eles vivem do que vendem mas, outros tipos de vendedores também e não são tão chatos. Bom, alguns são. Mas enfim, os corretores fazem algumas pessoas quererem atravessar a rua para não encontrá-los, e eu e Ricardo fomos contra todo o preconceito ontem e nos enfiamos numa feira de imóveis cheia, lotada, de corretores. E ainda pagamos por isso. Pois é, o desepero faz cada coisa.
Nessa procura maluca de um lar, descobrimos que ia ter no Anhembi essa feira, a SISP - Salão Imobilário de SP. É cansativo, mas pelo menos está todo mundo lá, reunido num só lugar, e dá pra facilitar um pouco o trabalho desgastante que é ir de construtora em construtora, corretora em corretora, ciscando grãos em cada canto de SP.

Uma coisa me assustou. Já tive que organizar stand em feiras antes e sei que é um gasto alto para o expositor, não só com o espaço mas também com a produção do stand em si. Pois nessa feira os stands eram de altíssimo nível, dava pra ver que as empresas tinham feito um grande investimento. Bacana. Mas na hora de ser atendida, ah, que lástima. Corretores absolutamente despreparados, perdidos, sem material de apoio, sem saber o que tinha de imóvel disponível para venda. A gente lá, querendo comprar, e eles lá, sem saber o que oferecer. Tinha corretor que não sabia metragem dos apartamentos. Outro não sabia onde era o bairro. Um terceiro, coitado, não sabia mexer no computador - mas o stand era todo online, cada corretor tinha um espaço conectado à central de onde deveriam fazer as pesquisas, ao invés de ficar folheando aquela papelada. Fiquei pensando, qual é o problema que existe dentro das empresas que as faz ter esse enorme gap de comunicação interna: stands lindos e pessoal tão despreparado. Fiquei pensando também em quantas vendas eles não perderam por isso. E quanto dinheiro não estão desperdiçando com o não aproveitamento dos recursos investidos na feira.

Eu saí de lá com a impressão de ter chegado perto do que queria achar, mas por pouco, não achei nada. Com um feeling de que meu apartamento perfeito podia estar lá, escondido em algum folder na pasta de um corretor que não fez a lição de casa antes de ir pra feira.

Mas duas coisas fizeram valer o passeio, e vou contar sobre elas. A primeira foi um stand do Governo do Estado de São Paulo - Secretaria da Habitação - apresentando o novo projeto de habitação popular do CDHU. Uma casinha bonitinha - confesso que eu ficaria bem feliz com uma delas se não fosse o lugar onde são construídas - com 2 quartos, toda adaptada (consequentemente ampla) para deficientes fisicos, com detalhes como barras e interruptores em alturas mais adequadas e chã0 especial, entre outros. Legal saber que o governo está tirando projetos como esse do papel.

A outra foi o stand da Escosfera Empreendimentos Sustentáveis. O espaço em si não era tão bacana e coerente quanto o do Banco Real (que estava lá oferecendo crédito), todo de material reciclado. Mas foi um bom começo. Mostrava todos os itens de sustentabilidade que seus empreendiments têm como diferencial, coisas como energia solar para áreas comuns, sistemas de economia de energia, reutilização de água da chuva. Nenhuma super novidade. Mas pelo menos alguém começou a fazer. Dêem uma olhada no site deles, vale a pena. É bom saber que esse tipo de coisa está começando a acontecer por aqui, mesmo que seja de forma tímida. Ah, e o stand estava lotado :-)
http://www.ecolifeindependencia.com.br/home/

Tuesday, September 23, 2008

Eu voltei

E eu... voltei. Aqui estou, há dez dias que parecem 24 horas às vezes, três meses outras vezes, nesta cidade maluca chamada São Paulo.

A primeira impressão foi aquela que eu temia. Um horizonte cinzento, mar de prédios dos quais não se consegue ver o topo através do ar seco, escuro e denso de poluição.

A segunda impressão foi melhor; a primeira vez que fui num mercado (um chique no Morumbi, comprar flores pra levar de presente) e a moça da minha frente estava recusando as mil sacolinhas plásticas que o empacotador insistia em usar para colocar poucos itens. Fiquei feliz. Toda orgulhosa, quando chegou minha vez, sorri e disse "pra mim não precisa de sacolinha também não, moço". Muita ingenuidade minha achar que estou conseguindo fazer algo com este exemplo?

A terceira impressão foi ótima. Choveu, limpou o ar. Eu, que temia o calor e rezava por um inverno fora de época e prolongado que se estendesse até dezembro, fui ouvida - pelo menos por enquanto. Melhor não falar muito. Há pelo menos uma semana faz um friozinho quase europeu em São Paulo.

A minha falta de rotina também ajuda a não ver o famoso trânsito, então desse mal eu ainda não sofri.

A cidade está mais bonita. Pra quem está aqui pode não ter feito muita diferença, afinal a velocidade é baixa e a quantidade de mudanças necessárias é enorme. Mas mudou. Eu, que fiquei sem olhar São Paulo como a "cidade onde eu moro" por 1 ano e meio, e agora voltei a enxergar, achei-a muito melhor. Mais bem-cuidada, mais vaidosa. As praças estão arrumadas os ipês estão em flor (ok, isso é culpa unicamente da primavera que sim, existe por aqui também). Não existem mais os horrendos outdoors. Aliás, ei, vocês que ainda criticam esse projeto. Vocês realmente se lembram como eram os outdoors? Aquelas estruturas precárias de madeira, uma atrás da outra, subindo e descendo as laterais das avenidas, tentando esconder o lixo que se acumulava por trás? Pois é, lembrem-se disso. Não é possível não gostar do que foi feito.

Novos parques foram abertos.

Impressão minha, talvez, mas as pessoas estão menos neuróticas. Outro dia tinha um rapaz todo contente, desligado, vidrão aberto no meio do trânsito, sorrindo.
Ou fui eu que fantasiei um Brasil muito pior do que realmente era?

O fato é que, estou aqui. Voltei e tenho tido motivos pra me orgulhar. E isso é bom.
A procura de casa está caótica, mas vamos deixar só boas coisas para este post e deixar o que não é tão bom assim pra outra ocasião.
Aproveito pra dar uma dica que ilustra bem o que ando vendo de bom por aqui: o blog http://www.oguiaverde.com/, da jornalista Priscilla Santos. Eu aqui pensando em fazer um blog sobre o que fosse encontrando de bacana, verde & sustentável em São Paulo, demorei muito, a Priscilla já fez. Ela trabalha na revista Vida Simples, que eu adoro, e fez uma matéria que incluiu o nosso "Família vende tudo" online, o blog que fiz pra vender nossas coisinhas quando resolvemos ir embora de Londres. A matéria pode ser lida aqui: http://vidasimples.abril.com.br/edicoes/071/mente_aberta/conteudo_305412.shtml.

Fora os amigos e a família. A gente repete tanto isso quando está fora, que "sente falta dos amigos e da família" que vira clichê e fica batido. Mas é tão verdade. O que seria da vida sem eles?

Wednesday, August 06, 2008

O que levo de Londres comigo

Oh vida, oh céus. Como não estou achando suficiente estar nervosa com a gravidez, a mudança (de casa, de país, de vida, de tudo), a ansiedade por uma segurança financeira, a mudança (esqueci de citar as malas), a carência, as saudades, etc etc etc, resolvi também escolher este momento pra refletir sobre o que quero fazer da minha vida. Afinal de contas, já que é pra surtar, que seja de verdade. Certo?

Pois então.

Foi só quando cheguei em Londres, um ano e meio atrás, que levei o choque do Marketing verde e comecei a entender as suas dimensões. Aliás, eu nem gosto de chamar de Marketing verde porque pra mim, vai muito além disso. A parte ambiental desse movimento todo é só uma pequena partezinha de uma coisa muito maior, que não tem nome, mas que eu chamaria de "Marketing do bem". Nem sempre as campanhas que me transmitem essa mensagem estão focadas na preservação do meio ambiente - muitas vezes são apelos sociais diversos ou apenas novas formas, mais gentis e respeitosas, de se falar com o consumidor. Faz tempo que eu tenho percebido esse novo "tom", muito sutil, nas campanhas por aqui: um tom de respeito, um tom de quem fala com alguém de igual pra igual. Exemplo disso era uma campanha da Virgin Media que chamou a minha atenção e a de meus colegas de curso, que explicava timtim por timtim como funcionava a conexão de fibra óptica e porque ela era melhor. O anúncio só tinha texto, era relativamente técnico, e ficou marcado na minha memória como um dos melhores que já vi.

É claro que nenhuma dessas campanhas está livre de interesses, afinal ninguém gasta dinheiro apenas para ser gentil (pelo menos não as instituições lucrativas). Mas sim, continuo vendo isso como uma onda "do bem" pois, interesses à parte, todo mundo sai ganhando. Não há problema em haver interesses se ambos os lados estão sendo beneficiados, e se a campanha é honesta. Essa onda me despertou um otimismo em relação à publicidade e marketing que eu nunca havia sentido, uma nova forma de enxergar esse mercado do qual por acaso eu participo, mas desta vez uma forma empolgante, honesta, verdadeira, uma razão de ser maior para se dedicar de corpo e alma a um trabalho e não apenas pra ganhar dinheiro e ir dormir com dor na consciência por estar dando mais dinheiro pra quem já tem e não fazendo nada de bom pra ninguém. É, eu sofri bastante desse mal de consciência no meu passado profissional.

Além disso, acredito que mesmo havendo interesses financeiros por trás de campanhas "boazinhas", muitas vezes os lucros não estão diretamente envolvidos. Mas isso não anula, de forma alguma, o retorno positivo e futuro em termos de imagem e aprovação do consumidor. Afinal, isso é inteligência. É ir muito além do próprio umbigo, é aprender de uma vez por todas que o interesse coletivo faz o ambiente como um todo muito melhor e volta para o indíviduo, mas de forma muito mais gratificante - e permanente. Como explicar a campanha do Transport for London (a empresa responsável pela administração do transporte público em Londres), que espalhou cartazes dentro dos ônibus, nos pontos e nos metrôs incentivando as pessoas a usar mais a bicicleta, a caminhar, a descer 1 ou 2 pontos (ou estações) antes e terminar o trajeto a pé? Porque eles fariam isso? Suícidio? Não. Empatia com o público. A gente vê os cartazes e pensa "que caras legais". Mas tem outra coisa: as pessoas já perceberam que não existe crescimento de receita eterna, poço sem fundo. Existe um ponto de equilíbrio, um tamanho certo para cada empresa, na qual elas chegam e a partir de então, mudam o foco para manter-se do mesmo tamanho porém cada vez mais excelentes em seus serviços ou produtos, mais sustentável, mais em sintonia com o mercado e tendências e comportamento do consumidor. Mas por que parar de crescer? Porque o mundo não suporta mais todo mundo querendo ser mais rico, melhor, maior. As coisas só vão chegar perto do ideal quando ficar cada um no seu lugar e respeitando os limites, crescemndo em qualidade e não mais em tamanho.

Depois de me recuperar dessa surpresa toda, de ter encontrado uma filosofia "do bem" tão desenvolvida por aqui, de ter encontrado, enfim, uma forma de trabalhar na área que escolhi respeitando meus princípios, achei que finalmente poderia ser feliz no meu trabalho. Mas e aí? Cadê as empresas que pensam assim? Como é que eu encontro os meus iguais? Continuo esbarrando o tempo todo com gente que acha que produto reciclável, orgânico ou biodegradável é "frescura". Continuo esbarrando com gente que se refere ao próprio público consumidor com desprezo e ar de superioridade. Continuo vendo, aos montes, gente que só quer saber de receber seu salário e ir pra casa no final do dia, como se o que faz nas 8 horas de trabalho fosse algo completamente sem importância. Procurei cursos especializados em MKT verde, procurei cursos especializados em MKT social, procurei cursos especializados em MKT do bem. Mas não tem.

Eu tive um diretor uma vez que dizia que deveríamos colocar, nas lojas do nosso cliente (que oferecia "serviços financeiros" - empréstimos - pra classe C e D), um consultor ajudando as pessoas e verificando se elas precisavam mesmo de empréstimos ou se não era só uma questão de reorganizar o orçamento. Ninguém deu importância pra essa idéia que, na minha opinião, se tivesse sido colocada em prática quando foi lançada teria transformado a empresa em revolucionária e líder absoluta, sem contar o grau de fidelidade que agora teriam seus consumidores.

Eu quero vender carro dizendo pras pessoas caminharem mais. Eu quero vender TV falando que nada susbstitui o pôr do sol ao vivo. Eu quero ser gentil com meus consumidores, que eles tenham razões verdadeiras para confiar em mim. Mas, como em todo o começo de revolução, estou perdida à procura dos meus companheiros, sem saber por onde começar.

Monday, July 07, 2008

Sobre os ovos das galinhas soltas (ou os famosos free range eggs)



A primeira vez que eu ouvi falar disso, confesso que achei uma grande frescura. De fato, não deixa de ser uma preocupação-de-país-que-não-tem-nada-mais-grave-com-que-se-preocupar. Esse assunto inclusive já foi tema de post aqui (vide "A lavagem cerebral inglesa").
Mas como já dito, meia hora depois de programa, eu já estava convencidíssima de que sim, o mundo deveria parar de fabricar ovos de forma cruel, com galinhas amontoadas em gaiolas superlotadas sem poder ter direito ao mínimo de dignidade e alegria em suas vidinhas.
Eu não tenho o mesmo poder de persuasão e argumentação que os produtores desses programas certamente têm de sobra, mas eu garanto pra vocês que uma produção de ovos com galinhas livres, leves, soltas e felizes contribui sim para um mundo melhor. Não sei direito como, mas essa coisa de termos granjas menos industriais, gramados, tudo isso influencia de forma inconsciente a mentalidade das pessoas. As gerações futuras têm que saber o que é pisar descalço na grama, colher ovos de galinha, correr atrás de galo.

E uma das provas de que eu tenho razão e de que deve haver alguma explicação mais racional do que a minha para isso é essa: a Hellmann's acabou de anunciar que toda a sua produção de maionese no Reino Unido utiliza ovos free range, ou seja, de galinhas livres para (quase) voar.

Imaginem quantas galinhas essa atitude está salvando da crueldade. Viva as galinhas soltas!

Agora só falta a gente achar um jeito de os humanos viverem de forma free range também.

Monday, June 30, 2008

Desabafo sobre o trânsito que me espera em SP

Por que, meu Deus, POR QUE, as pessoas reclamam tanto do trânsito de São Paulo, e ao mesmo tempo, não fazem absolutamente nada a respeito?!?!

Sabe aquele colega de trabalho que você tem, que vive reclamando, mas não sugere absolutamente nenhuma solução para o problema, e você o critica porque acha que ele é um completo inútil? Pois é. É assim que eu vejo o povo paulistano. Sério. Sem exceção, todo mundo com quem eu converso responde da mesma forma à minha pergunta sobre como anda São Paulo. "Não anda" é a resposta unânime. "Está um caos", "São Paulo parou". Mas e aí? O que todos continuam fazendo? Pegando seus carros e se enfiando no trânsito!!! É inacreditável. Repetindo o mesmo caminho todos os dias, por mais tortuoso e dolorido que seja, sem pensar em alternativas. Cadê o raciocínio e inteligência que deveriam ser particulares aos seres humanos?

Gente, bicicleta é uma coisa que pode ser bacana. Andar a pé também. Se o seu trabalho / escola é longe demais, arrume uma carona, acerte um rodízio com alguém. Todo mundo, sem exceção, pode fazer alguma coisa. Organizar rodízios com o pessoal do trabalho ou da escola, por exemplo, é fácil e não tem nem a desculpa de que pode ser perigoso (como no caso do site e-carona, que você se registra e acerta caronas com desconhecidos).
E ônibus e metrô, dependendo do roteiro e do horário, podem não ser tão ruins assim.
Eu sou preguiçosa. Não faço o tipo esportista. Mas eu prometo que quando estiver aí, vou procurar caronas e / ou caroneiros e de preferência, um trabalho perto de casa.

Outra coisa: as empresas podem muito bem começar uma cultura de priorizar contratações de pessoas que morem na região. Imaginem que lindo se todas fizessem isso. Nenhum carro na rua, muita gente andando na calçada. Lindo.

Por fim, sim, ter um sistema de transporte público eficiente ajudaria muito, ter metrô por São Paulo inteira seria um sonho. Mas ficar esperando isso acontecer e reclamando que não acontece é que não dá. O poder e a força da união das pessoas em uma comunidade fazem milagres. Que tal tentar?

Pronto, falei.

Monday, June 09, 2008

Do individual para o coletivo

Em 27 de março eu coloquei aqui no blog um link para uma crítica que eu escrevi sobre um texto do Marinho, colunista do Bluebus. O texto falava de uma forma bem elitista de uma promoção da Lacta de ovos de páscoa. Mas não importa. O mesmo Marinho publicou hoje um texto super interessante sobre tendências - e que tendências - descobertas por uma pesquisa da Mastercard. Segue mais ou menos a mesma linha do que eu fico falando aqui no blog, essa tendência "do bem", maior do que de cores, de marcas, de produtos, mas sim de um comportamento em geral das pessoas que vai em breve direcionar as campanhas de marketing, as criações de novos produtos, a organização das cidades e estrutura do planeta. O Marinho colocou isso como uma tendência de se passar a pensar e a agir coletivamente, e não mais individualmente. Talvez essa seja mesmo a raiz da coisa, a essência que eu estava procurando, pois dela surgem outras infinitas vertentes de atitudes positivas.

Aqui, o texto original, e abaixo, pros preguiçosos ;-)

"Marinho | Sociedade individualista começa a pensar no coletivo
11:19
A campanha 'Priceless', criada há 11 anos pela McCann de Nova Iorque, já faz parte da história da propaganda, em minha opiniao - leia aqui coluna anterior sobre o tema (23/4). O que nem todo mundo sabe é que para chegar às coisas que o dinheiro nao compra (para todas as outras existe MasterCard, lembra?) foi feita uma pesquisa interessantíssima, com o objetivo de descobrir o que realmente importa na vida das pessoas - os tais momentos que nao tem preço. Na 6a feira conversei com Cristina Paslar, diretora de marketing da MasterCard, que me contou os resultados da última onda dessa pesquisa, chamada 'What Matters' (O que importa). De acordo com a Cristina, o estudo apontou 3 tendências principais - a busca pelo aprendizado contínuo, a redefiniçao da idéia de futuro e a mudança do eixo do 'Eu' para o 'Nós'.

-A pesquisa mostrou que, como consequência das exigências do mundo atual, as pessoas incorporaram de vez a idéia de que o aprendizado tem data para começar (e começa cada vez mais cedo, muitas vezes a partir de 1 ano de idade) mas nao para acabar. A classe média e os brasileiros de baixa renda almejam alcançar a universidade ou proporcionar isso aos seus filhos, enquanto a elite coleciona MBAs e cursos de extensao, na tentativa de facilitar a trajetória profissional. Isso inclui também fontes de conhecimento informais, tais como viagens, exposiçoes e leituras. Uma vertente desse movimento compreende ainda a busca pelo autoconhecimento e o equilíbrio pessoal.

-Mas se o presente é marcado pela ferrenha competiçao por um lugar ao sol e pela compensaçao consumista proporcionada pelas marcas e produtos supérfluos, o passado continua sendo idealizado, numa oposiçao que explica o sucesso dos movimentos nostálgicos - pense na volta das bandas jurássicas, dos heróis das nossas velhas histórias em quadrinhos e de personagens como Rocky e Indiana Jones e você compreenderá melhor a abrangência da onda retrô. A novidade fica por conta da idéia de futuro que anda frequentando as cabeças dos passageiros dessa nave desgovernada chamada Terra. O consumo, que hoje define essa nossa sociedade do excesso, começa a ser questionado e conceitos como equilíbrio, sustentabilidade e responsabilidade social já encontram espaço em coraçoes e mentes brasileiras.

-De todas as tendências, porém, a que mais me interessou foi a migraçao do pensamento individual para o coletivo. Especialmente porque o que se vê por aí é justamente o contrário - fartas manifestaçoes de narcisismo, materialismo e individualismo, principalmente entre os jovens. A pesquisa detectou, entretanto, o início de esgotamento desse estilo de vida feérico e estressante que caracteriza a sociedade moderna. As pessoas estariam progressivamente percebendo que o sacrifício de permanecer conectados, atualizados e multi atarefados 24 horas por dia, 7 dias por semana, nao está trazendo os retornos esperados e se perguntam aonde isso tudo as estaria levando. Afinal, sem tempo para cuidar de si mesmo, esse pessoal sente que seus sonhos e ideais estariam em suspenso. Daí viria a disposiçao de olhar com mais atençao para a família, os amigos, o prédio, o bairro, o país e o planeta.

-Saí do encontro com a Cristina Paslar pensando - ver a sociedade finalmente descobrir que a felicidade pessoal nao pode ser completa se as pessoas em volta nao estiverem também felizes, isso sim nao tem preço.
Luiz Alberto Marinho"

Wednesday, June 04, 2008

Boa notícia

Todo dia eu recebo no meu email da Embaixada um clipping com as notícias que saem na mídia Britânica sobre o Brasil. Normalmente esse é o meu momento diário de tristeza e desânimo: a grande maioria das notícias é sobre violência, fulano que morreu baleado, ciclano que morreu assaltado, beltrano que morreu sequestrado. Ultimamente um outro assunto apareceu nas manchetes, e me incomodou ainda mais, por ser inédito e absurdo. A tal da lei que volta às práticas de desmatamento da Amazônia de décadas atrás, em pleno aquecimento global, no exato momento em que o mundo todo está voltado ao Brasil e à Amazônia. Ao invés de agarrar essa oportunidade para mostrar ao mundo que o país é capaz de cuidar do que é seu, fazem exatamente o contrário. Vergonha.

Mas hoje tinha uma notícia boa. Que me deu o maior orgulho mesmo não tenho ligação direta nenhuma com o fato. O Banco Real acaba de ser premiado pelo Financial Times como o banco mais sustentável do mundo em 2008. Além de ser o maior orgulho por si só, o prêmio também veio em boa hora, pra mostrar que o Brasil não é só um país irresponsável, cheio de gente burra e despreparada, e que tem sim gente bem-intencionada e competente fazendo alguma coisa.

Fui lá dar uma espiada no site do Real. Eu não sei direito o que eu estava esperando, mas com certeza era algo menos tangível do que encontrei. Não é que eles oferecem até oficinas sobre sustentabilidade, gratuitas, abertas ao público em geral? As oficinas começaram como treinamentos para funcionários e acabaram se tornando um serviço para a população. Tá aí uma ótima proposta pra quem queria começar a fazer alguma coisa sobre o assunto e não sabia por onde. Além das oficinas, o site oferece um monte de dicas, informações úteis, agenda com outros cursos de interesse geral e gratuitos em São Paulo além de oferecer outras palestras. Gostei.

Entrem lá: Banco Real

E parabéns! (Se algum funcionário do Real aparecer aqui no blog, e souber de alguma vaga aberta, lembre-se de mim ;-))

Wednesday, February 20, 2008

Esses veículos, os carros

Londres é uma cidade na qual quase não se tem necessidade de ter carro. Uma coisa rara, um exemplo importante, que eu acredito sinceramente que seja o futuro - porque é melhor e porque tem que ser assim. A concepção de transporte "cada um no seu carro, com o banco de trás vazio" é um absurdo, uma promiscuidade. É quase como a festa do sexo antes da aids aparecer. Todo mundo feliz e contente com seu carrão, e de repente, bum! Explosão de gás carbono na atmosfera, desastres naturais, aquecimento global e tudo aquilo mais que a gente está cansado de escutar. Um carro pra cada um é uma prática incabível que tem que ser esquecida, mais cedo ou mais tarde.

A sensação de que os ingleses estão sempre à frente do nosso tempo sempre me acompanhou, e enquanto no Brasil o sonho das pessoas é o carro próprio, aqui eles já estão criando regras e sistemas de transporte para que os carros sejam cada vez menos usados e necessários. O que eu acho lindo e óbvio, e me deixa inconformada o fato de em outros lugares isso não estar sendo nem considerado ainda.

Mas não sejamos utópicos. Enquanto não estivermos plantando nosso próprio alimento no quintal, precisaremos ir e vir em busca de suprimentos. Precisaremos ir até o supermercado e voltar pra casa carregados de sacolas. E não se trata só do consumo: e as viagens? Eu não quero que voltemos no tempo a ponto de vivermos cada um na sua porção de terra, plantando seus vegetais e isolados do resto do mundo. Não que eu realmente ache que isso pode acontecer. Seria voltar aos feudos. Então como faríamos pra viajar? Pra ir ali até a praia? Não tem jeito, carro ainda vai ser por muito tempo essencial em algumas situações.

Por tudo isso eu achei genial o que descobri ontem: O Streetcar. Trata-se de um sistema de carro pay as you go: você só usa quando realmente precisa. É tipo um carro coletivo que só na hora de fazer aquela baita compra e precisar de um porta-malas, ou ir viajar no fim de semana, você pega. Funciona como um clube, você se registra, paga uma anuidade e recebe em casa um cartão. Depois, é só ir até onde tenham carros disponíveis, que é literalmente em cada esquina (perto de casa achei 3 pontos, todos a uns 2 minutos a pé). Você abre o carro com o cartão, coloca no painel o código do aluguel que você fez pela internet e pronto, dá a partida e sai dirigindo. A tarifa depende de quanto tempo você vai ficar com ele, que podem ser períodos de meia hora a um mês. Sempre, claro, muitíssimo mais barato do que um aluguel comum e complicado das rent-a-cars da vida.



Eu, que estava louca pra pegar uma estrada e conhecer a Inglaterra direito, sem ter que depender de trens, ônibus e estações, podendo parar onde bem entendesse pra tirar fotos ou admirar a paisagem, fiquei empolgadíssima. Pra ficar perfeito mesmo, agora só falta eles substituirem os carros pelos novos modelos de emissão zero de carbono que já estão sendo produzidos por aqui, como o Honda Civic Hybrid. Aí sim vou poder dizer que "Oh, that's the idea! Making good use of baaad rubbish!"

Monday, February 11, 2008

EDF Energy

Aproveitando a onda dos comerciais iniciada pela Paula (do California Dreaming, aqui do lado), vou falar de um que faz tempo que eu quero comentar aqui.
A empresa EDF Energy começou a veicular há algum tempo esses comerciais fofos, completamente do bem, falando de atitude verde, respeito ao meio ambiente e da economia de energia que todos nós podemos adotar.
Eu e o Ri sempre ficávamos felizes quando esse comercial passava, aprendemos até a cantar a musiquinha.
E acho que não foi só com a gente que ele fez sucesso, porque eles foram alterando as imagens do comercial, mas a música e a mensagem são sempre as mesmas.
E não é que, procurando o comercial no Youtube para colocar aqui, o Ri descobriu o que talvez tenha sido a fonte de inspiração de quem criou o dito cujo? É o que sempre digo: na publicidade nada se cria, tudo se transforma.
O mais legal é que, além da sacada fantástica de usar essa música para esse comercial, todo ele é feito com películas originais de filmes que foram "reciclados".
Vejam abaixo, uma das versões do comercial e depois um outro filminho, datado de algumas dezenas de anos atrás :-)





Update: Suspeita confirmada! Texto sobre a relação entre os filmes:
"This is the first time EDF Energy has ever aired a TVC. Which is part of a full scale multi-media advertising campaign that goes live on Sunday (6 January 2008) with this 60 sec TV advert made entirely from recycled film clips.

The soundtrack featured in the advert, "It's Not Easy Being Green", has been adapted from the original version written by Joe Raposo for Sesame Street in 1970. In this case the song is used to highlight that while it may be difficult to change behaviour over night, it's up to all of us to become part of the solution in helping combat climate change."

Thursday, January 24, 2008

Só pra terminar o assunto (dessa vez)

Já falei de marketing verde neste blog, várias vezes.
Hoje eu estava acompanhando uma discussão na internet sobre o marketing verde no Brasil. As milhares de sacolas-fashion-ecológicas que surgiram, só pra dar um exemplo, sempre me cheiraram a pilantragem. Se estamos fazendo algo por um bem maior, para evitar desperdício, não combina muito inventar uma "sacola ecológica" e sair vendendo toneladas delas por aí. Não duvido que a mulherada esteja usando pra fazer compras no shopping ao invés de para carregar as compras no lugar das de plástico. Isso é bem cara de Brasil. E nessa discussão alguém falou uma coisa tão sensata que eu acho que tem que ser repetida para ecoar por aí até fazer as pessoas realmente entenderem a idéia.

"Muitas empresas estao tentando surfar a onda ecológica do jeito mais fácil - colocando muita floresta nos anúncios e, nas prateleiras, produtos 'verdes' 2% menos poluentes que o convencional. Já viram quantas sacolas de compras ecológicas surgiram por aí? Quanto tempo será que vai demorar para o consumidor perceber que a sacola de compras mais ecológica que existe é a que ele já tem em casa? E que nao comprar um produto verde é bem mais sustentável do que levar para sua já entulhada residência mais um item de que ele nao necessita?"

Vamos pensar nisso?

Monday, January 21, 2008

A lavagem cerebral inglesa



Faz tempo que venho falando da insistência, às vezes quase paranóica, com que governo e população têm tratado a questão ambiental, de saúde e de bem-estar em geral. Insistência e paranóia evocam uma má impressão - mas eu não estou achando nem um pouco ruim. Ver atitudes positivas sendo tomadas por motivos tão nobres me fazem ficar orgulhosa do lugar que escolhi para viver.

Mas ultimamente tenho ficado muito assustada é com a programação dos canais de TV. Todos os 5 canais que temos, de TV aberta, são tradicionais ingleses: itv1, channel 4, bbc1, bbc2 e outro que eu esqueci. E todos eles estão bombardeando a gente com a maior variação sobre o mesmo tema que eu já vi em qualquer canal, em qualquer mídia, em toda a minha vida. Explico. Vamos usar os chefs-de-cuisine-superstars como exemplo. Eles são mais famosos que os apresentadores, que os atores, que os big brothers, que todo mundo. Então as emissoras resolveram usá-los para ser apresentadores de quase todos os programas, variando o assunto. Outro dia, assisti a 2 programas seguidos com o Jamie Oliver.

Em um deles, o Jamie, apresentando junto com o médico-macabro-dissecador-de-corpos alemão e com uma nutricionista simpática, mostravam de todas as formas, para uma platéia estarrecida, os efeitos da comida pronta contemporânea nos nossos corpos. Num certo momento do programa, chegou um produtor artesanal de salsichas e mostrou na frente das câmeras como se fazia uma salsicha de verdade, nobre, com carne de qualidade. Explicou que ele usava no mínimo 70% de carne e o restante poderia ser gordura ou outras coisas mais que eu não vou detalhar. E que essa era a forma de produção até 30, 40 anos atrás. Aí o Jamie explicou que, nas salsichas encontradas hoje em dia, com a industrialização e necessidade de se baixar os preços, os produtores passaram a pegar as partes menos nobres que sobram do bicho (mostrando essas desagradáveis imagens na tela) e a vender salsichas com apenas 30% de carne. E o resto, 70% de porcaria, vai direto pros nossos corpinhos em forma de gordura muito maligna. Na sequência, pra arrematar a lavagem cerebral, aparecia o médico macabro com um cadáver de um homem enorme. E lá foi o médico abrir, na frente das câmeras e de quem quisesse ver, a barriga do cadáver, o tronco, tudo, para mostrar seus órgãos internos, a quantidade de gordura acumulada em seu coração e onde mais ele pudesse encontrar. Isso mesmo pessoal, dissecação em pleno horário nobre.
Olha que isso não foi novidade pra mim - antes do médico lançar esse programa com o Jamie, ele já tinha um só pra ele explicando a medicina e os cuidados com o corpo de uma forma bem, digamos, prática, dissecando cadáveres e mais cadáveres pra todo mundo ver.

O segundo programa da sequência, também estrelado por Jamie, era ligeiramente mais leve mas não menos transformador. Com a platéia sentada à mesas a la Gala Dinner, Jamie ia falando sobre o processo de produção de alguns ingredientes que ele usaria para fazer o jantar. Começou falando de ovos. Colocou pintinhos em caixas de acrílico transparentes e colocou cada caixa em uma das mesas. Depois, pediu para que as pessoas separassem os machos das fêmeas, explicando como destinguir (pela cor). Assim que todo mundo tinha separado, ele pegou os machos, colocou numa outra caixa maior de acrílico e explicou que ia repetir o processo que as granjas usavam na fabricação de ovos. Nasceu macho, morre. E Jamie simplesmente puxou uma alavanca e matou todos os pintinhos por insuficiência respiratória ou algo assim, um processo que durou aproximadamente um minuto, acompanhado non-stop pela câmera.
Depois mostrou imagens de granjas cujo objetivo é a alta produção, sem nenhuma procupação ambiental ou orgânica. As galinhas mal conseguiam sentar, de tão apertadas que ficavam. E assim foi, mostrando todos os tipos de granjas, até um momento em que eu já estava tão enjoada que achei o paraíso, a coisa mais linda e humana do mundo, quando ele mostrou a granja que fabrica os "free-range eggs", deixando suas galinhas soltas num lindo terreno cheio de verde e sol.
De vez em quando, a imagem cortava para uma rápida entrevista do Jamie com o diretor de MKT de alguma rede de supermercados, cobrando quando é que eles iriam boicotar de vez a produção cruel de ovos com galinha infelizes. E os executivos levando super a sério, prometendo deixar de vender os ovos cruéis até 2010. Até o Mr Hellmann's apareceu lá (na figura de um executivo importante da empresa), dizendo que as maioneses da marca serão completamente livres de ovos cruéis ainda este ano.

Parece que estou sendo irônica, mas a coisa é tão séria e tão bem-feita, que me convenceu absurdamente. Não só pela felicidade das galinhas propriamente dita, mas pelo movimento de gentileza com a natureza que isso desencadeia. Faz as pessoas serem menos "fast" e se lembrarem que tudo, no fim das contas, vêm da natureza e ela está pedindo socorro. Faz a gente perceber que apesar de nascidos e vivendo no concreto, nossa condição natural é outra e que precisamos resgatá-la.

Se é que algum tipo de lavagem cerebral pode ser bom, este é. E funciona, pois vejam o resultado da minha visita ao supermercado logo no dia seguinte. Assim, daqui a muito pouco tempo, teremos uma Inglaterra 100% orgânica e consciente. Espero que logo logo o mundo todo aprenda que a combinação celebridade + programa de TV pode sim, e muito, fazer (o) bem.







P.S.: O Ricardo mandou avisar que achou o segundo programa muito, mas muito pior do que o primeiro. Ele acha muito mais assustador e cruel ver pintinhos sendo assassinados em uma câmara de gás do que um cadáver sendo dissecado.

Monday, April 23, 2007

Desculpas por oferecermos um guardanapo feio... e pela embalagem ainda não ser reciclável.

Frase do guardanapo que recebi junto com o meu sanduíche do almoço:

"This ugly brown napkin is made from 100% recycled stock (pretty white napkins are bleached which can result in environmentally damaging toxic waste). If Pret* staff get all serviette-ish and hand you huge bunches of napkins (wich you don`t need or want) please give them the evil eye."

Algo como (numa tradução bem livre):

"Este guardanapo marrom feio é 100% feito de papel reciclado (guardanapos brancos bonitinhos são clareados com quimícos que podem resultar em lixo tóxico nocivo ao meio-ambiente). Se o staff do Pret* te der uma enorme pilha de guardanapos (que você não vai precisar ou querer), por favor dê a eles um olhar maligno."

*Pret é o apelido do lugar, que se chama Pret-a-Manger.

E esse foi o pedido de desculpas que encontrei na embalagem do macarrão (orgânico), por ela (ainda) não ser reciclável. Como assim, macarrão orgânico com embalagem não-reciclável??? Humpf. Não compro mais.