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Saturday, August 30, 2008

Um absurdo chamado Brasil

Sexta-feira, 10 horas da manhã em Londres, 6 horas da manhã no Brasil. Meu primeiro dia de "férias" da Embaixada. Tomei café, esperei o marido sair e sentei em frente ao computador para, pela primeira vez com calma, vasculhar todos os sites de notícias possíveis para fazer notas pro Bluebus.
Comecei pelos ingleses. BBC, Telegraph, Financial Times, The Economist. Em todos eles, uma mesma novidade que me chamou a atenção como sempre chama quando se trata do Brasil: uma descoberta de cientistas brasileiros e americanos na Amazônia. Encrustados no meio do que se achava ser floresta virgem, eles encontraram vestígios de uma civilização moderna, urbana, complexa e desenvolvida, comparada nas reportagens às antigas cidades Romanas e Gregas.
Então fui procurar a notícia nos veículos brasileiros.
Nada.
Apesar de incrédula, resolvi escrever a nota pro Bluebus focando na notícia - afinal isso era o mais importante - e me segurar pra não colocar nenhum comentário maldoso sobre a mídia brasileira. Deixei pra colocar a revolta aqui.
Como é que pode? Uma notícia dessa relevância, que prova que tínhamos uma civilização, sim, e tão desenvolvida quanto as que estudamos na escola, e só falam disso fora do Brasil?
Até agora não dá pra acreditar.
Qual é o problema dos veículos de comunicação brasileiros?
Enquanto isso, na home page de um dos principais sites nacionais, uma chamada enorme, no local mais nobre da página, sobre as mulheres-frutas. A maçã, a melão, e por aí continuava. E todas com cara de travesti.
Qual é o problema do Brasil?

Friday, July 25, 2008

Alguém explica?

Sexta-feira de manhã e eu, gripada, levantei cedo para esperar minha amiga que está chegando em Londres vindo da Alemanha.

Nada de bom na TV, o livro não empolga, resolvo ler as notícias na internet. São sempre os mesmos que eu olho pra ter uma idéia geral do que está acontecendo pelo Brasil: Uol, Terra, Estadão.

Já tinha lido todas as chamadas mais importantes mas nada da amiga chegar, e então eu vejo uma chamada no Terra TV sobre Paris. Interessante. Mas assim que eu cliquei na chamada, fui direcionada para uma tela vermelha com a seguinte mensagem, em três línguas: "Conteúdo restrito - você está fora do Brasil e por isso não tem acesso a esse conteúdo".

???

Poxa, não é porque eu estou em outro país que sou leitora menos imporante do site. Estou me sentindo como se fosse uma traidora da nação, uma exilada, sem direito às notícias do Brasil (o fato de que eu estava tentando ver um vídeo sobre Paris é apenas um detalhe).

É como se algum leitor de alguma revista tentasse fazer uma assinatura para recebê-la fora do território nacional e escutasse como resposta "não, você está fora do Brasil e não têm mais direito a ler esta revista".

Será que existe algum impedimento técnico ou é só falta de consideração com os leitores distantes mesmo?

Monday, June 30, 2008

Desabafo sobre o trânsito que me espera em SP

Por que, meu Deus, POR QUE, as pessoas reclamam tanto do trânsito de São Paulo, e ao mesmo tempo, não fazem absolutamente nada a respeito?!?!

Sabe aquele colega de trabalho que você tem, que vive reclamando, mas não sugere absolutamente nenhuma solução para o problema, e você o critica porque acha que ele é um completo inútil? Pois é. É assim que eu vejo o povo paulistano. Sério. Sem exceção, todo mundo com quem eu converso responde da mesma forma à minha pergunta sobre como anda São Paulo. "Não anda" é a resposta unânime. "Está um caos", "São Paulo parou". Mas e aí? O que todos continuam fazendo? Pegando seus carros e se enfiando no trânsito!!! É inacreditável. Repetindo o mesmo caminho todos os dias, por mais tortuoso e dolorido que seja, sem pensar em alternativas. Cadê o raciocínio e inteligência que deveriam ser particulares aos seres humanos?

Gente, bicicleta é uma coisa que pode ser bacana. Andar a pé também. Se o seu trabalho / escola é longe demais, arrume uma carona, acerte um rodízio com alguém. Todo mundo, sem exceção, pode fazer alguma coisa. Organizar rodízios com o pessoal do trabalho ou da escola, por exemplo, é fácil e não tem nem a desculpa de que pode ser perigoso (como no caso do site e-carona, que você se registra e acerta caronas com desconhecidos).
E ônibus e metrô, dependendo do roteiro e do horário, podem não ser tão ruins assim.
Eu sou preguiçosa. Não faço o tipo esportista. Mas eu prometo que quando estiver aí, vou procurar caronas e / ou caroneiros e de preferência, um trabalho perto de casa.

Outra coisa: as empresas podem muito bem começar uma cultura de priorizar contratações de pessoas que morem na região. Imaginem que lindo se todas fizessem isso. Nenhum carro na rua, muita gente andando na calçada. Lindo.

Por fim, sim, ter um sistema de transporte público eficiente ajudaria muito, ter metrô por São Paulo inteira seria um sonho. Mas ficar esperando isso acontecer e reclamando que não acontece é que não dá. O poder e a força da união das pessoas em uma comunidade fazem milagres. Que tal tentar?

Pronto, falei.

Wednesday, March 26, 2008

Trauma que não sai no banho

Sabem aquela marca de cosméticos chamada Lush?
O Ric numa atitude de marido mega fofo resolveu me dar de páscoa uns sais de banho efervescentes desa loja, já que eu tô numa fase "afastem o chocolate de mim". Esses sais têm o formato e tamanho de bolas de tênis, você joga na banheira e eles ficam dissolvendo e soltando perfume enquanto você relaxa. Tem de todos os tipos, pra todas as intenções: relaxante, estimulante, revigorante, etc etc.
Pois então, um dos que o Ric comprou tinha um pombo da paz, era do tipo "zen" e a embalagem dizia que, quando a bola estivesse acabando de dissolver, apareceria uma mensagem. E lá fomos nós para a banheira zen, falando sobre o ano que passou, fazendo pedidos pro ano que começa, refletindo sobre os acontecimentos, aquele papo todo de páscoa, renovação e tal.
E de fato, quando a bola estava quase no final, começou a aparecer o papelzinho da mensagem. E a gente levando super a sério. Parecia quase uma consulta espiritual, os dois olhando pro papelzinho, nervosos.

E o que aparece? Um papelzinho estranho com a foto de um prisioneiro e do outro lado, o texto "fulano de tal, aprisionado desde 2002 sem julgamento".

WTF?

Por um momento ainda pensei que podia ser um protestante infiltrado na fábrica, trocando as mensagens zens por papeizinhos de revolta política. Mas não. Entrei no site e é isso mesmo.

Tipo, eu simpatizo, respeito, acho que a gente tem mesmo que abrir os olhos pros problemas do mundo e tal. Mas deixa eu tomar meu banho relaxante em paz?

Saturday, March 15, 2008

Friday night

Sexta-feira à noite em casa. Marido dormindo no sofá. É hora de reflexão.

Por que as pessoas colocam foto de beijo de língua no orkut?
Por que as pessoas têm medo de ser felizes?
Por que não constroem monumentos e pontes bonitas em São Paulo? E não limpam os rios?
Por que não inventaram o teletransporte?
Por que eu não ganho um salário melhor?
Por que meu banheiro não fica pronto nunca?
Por que chocolate engorda?
Por que existem objetos como esculturas brilhantes de gatos, carpetes roxos, cortinas azul-royal?
Por que eu não sei fazer pão de queijo?

Thursday, March 06, 2008

Pré-Berlim

Gente, tá difícil eu sentar com calma e inspiração pra escrever como vocês merecem sobre a Bélgica, sobre as impressões e preparações para Berlim, sobre o caos da vida. Esta semana eu literalmente não tive tempo de me alimentar decentemente, quanto menos escrever no blog.

Estava aqui pensando o que eu poderia escrever só pra não deixar o blog sem nada por mais 3 dias, afinal hoje vamos pra Berlim.

Eis que como um milagre apareceu na minha caixa de entrada o e-mail que copio abaixo. Eu sempre recebo uns comentários divertidos sobre o Brasil, mas essa pérola eu tinha que dividir com vocês. Seria engraçado se não fosse trágico.

Bom fim de semana e até segunda!

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Dear Sirs,

I'm analysing the possibility of exporting incense to Brazil. The people in your country who i'm dealing with have told me that there are a number of taxes that would apply to my product, raising the price up tremendously (hence forcing me to drop my sale price in order to make the operation viable). I have my doubts regarding this information so I was wondering if you could help me out by confirming this to me. Below is what I was told:

In this this country taxes are very high and there is big diferences from product to product.

This are the taxes that apply to incenses (ncm 3307.41.00):


Apply over r the Cif price (prod+shipping):

Import tax: 18%

IPI : 22%

Pis: 2.2%

Confins 10.3%

Over this value (Cif price + taxes) apply ICMS of 25%

This taxes are in cascate. See the example with Cif of £100:


Cif: £100

Import tax: £18

Ipi: £22

Pis. £2.2

Cofins: £10.3

Subtotal: £152.5

ICMS :£38.12

Total: £190.62



Is this information accurate? Please let me know. Thank you very much for your help.

Tuesday, March 04, 2008

Diário de guerra - 8 dia

Ainda estamos refugiados. Agora na casa do landlord.
Landlord volta para Londres no sábado. Não sabemos pra onde iremos após essa data. O fato de estarmos indo para Berlim complicou a situação. A casa continua inabitável.
Câmbio. Desligo.

Tuesday, February 26, 2008

Oh no

Este é o banheiro onde, teoricamente, vamos tomar banho hoje à noite.
Aproveito e mostro o enforcado que eu estava devendo. Não haveria hora mais propícia para apresentá-lo a vocês.

O mais legal é que eu não tenho a menor idéia de quando isso vai terminar. Nem como vai ficar o resultado, já que o dono do flat não nos deu nenhuma dica de como vai fazer o acabamento. Assim é a vida de inquilino em Londres.

Pelo menos dessa vez o cara que está lá trabalhando fala inglês.

UPDATE: Tava bom demais pra ser verdade. O cara com quem falei de manhã antes de sair era o CHEFE do cara que está lá trabalhando. O cara que está lá não fala uma palavra de inglês, e o Ricardo está se comunicando com ele através de mímicas.



Thursday, February 07, 2008

TV license

Desde antes de vir morar em Londres, quando eu pesquisava sobre a vida aqui, os custos, etc, eu sei da existência dessa coisa chamada TV license. A TV license é uma taxa - cara - que a gente tem que pagar se tiver uma TV em casa. Não tem nada a ver com canais, Tv a cabo, essas coisas. Só por ter uma TV, mesmo que só com 5 canais abertos como é a nossa, tem que pagar. O mais inacreditável é que tem um preço para TV a cores e outro para TV preto-e-branco (alguém NO MUNDO ainda tem uma TV preto-e-branco???). Eu sempre achei essa taxa o ó. Afinal no Brasil, que é o Brasil, onde todo mundo cobra taxa de tudo o que puder e mais um pouco, não tem essa. Simplesmente por ter uma TV em casa, por ela estar ali, em cima do móvel da sala? Mas é assim.

Logo que nos mudamos para a nossa casa, recebemos uma carta falando disso. Uma carta grossa e ameaçadora, dizendo que aquela já era sei lá qual número de intimação que recebíamos, que diante da não-resposta eles tinham mandado oficiais em casa, mas que não estávamos, e que precisávamos responder com a máxima urgência senão teríamos que pagar multa de £ 1.000 e por aí vai. Diante de todo esse stress, liguei no número que a carta indicava e disse que não, não tínhamos TV, tínhamos acabado de nos mudar para Londres e que não tínhamos conhecimento de nenhuma outra carta recebida no imóvel. E ponto final.

Mas um tempo depois, finalmente compramos a TV. E nos lembramos da tal da taxa. E lá fui eu entrar no site pra ver como pagar. Ameaças e mais ameaças foi o que encontrei. Em todas as páginas, frases como "ninguém está livre da taxa", "estamos de olho", "nossos agentes trabalham todos os dias em busca de fraudes" e etc. Tinha até uma página especial, só contado casos de pessoas que recebiam os oficias e tentavam despistá-los até conseguir esconder a televisão.

Eu fui pegando um bode monstruoso da TV license.

Até que outro dia, conversando com amigos de amigos de amigos sobre a vida em Londres, o assunto surgiu. E eu escutei uma explicação que mudou completamente o meu conceito sobre essa taxa. O que acontece é que uma emissora de TV, normalmente (como no Brasil), vive - e lucra - de publicidade. Afinal, a transmissão é gratuita e a empresa paga suas contas todas com os anúncios que transmite entre os programas, merchandising nas novelas, etc etc. Só que isso acaba sendo mais complicado do que parece, porque os anunciantes passam a ter poder sobre a programação. E o conteúdo acaba sendo muito influenciado pela opinião dessas empresas que sustentam os canais. Afinal, ninguém vai ser maluco de fazer um programa que critique ou prejudique de alguma forma quem está colocando o dinheiro.
E a TV license serve pra isso. A gente paga pra ter um conteúdo completamente independente, informação livre e sem interferência de nenhum interesse. É triste pagar, mas dá gosto se pensar no que isso representa de verdade para as nossas vidas e as informações que chegam à nossa casa através da televisão.

Que tal? Acho que uma TV license no Brasil ia fazer muito bem pra todo mundo. Imaginem só como ia ficar o Big Brother! :-)

Thursday, January 24, 2008

A peladona do baile funk

Mas o que é essa polêmica toda por causa de uma menina que tirou a roupa no baile funk?

Reportagens e mais reportagens, polícia, delegado, imprensa censurando?
Todo mundo sempre soube que a mulherada se não ficava pelada, ficava quase, em todos os bailes, desde sempre.
Além disso, a globeleza sempre apareceu nua na TV, para um público bem maior que o do baile, sem polícia, sem processo, sem inquérito, sem nada, apresentada ao público como referência: de beleza, de atitude. Assim como as outras peladonas do carnaval.

Agora a mídia vem fazer esse escândalo por causa de uma menina que se empolgou e tirou a roupa?

Quer dizer, as pessoas vêem as peladonas do carnaval lá todas livres, leves e soltas, sambando contentes e sem roupa, mas não podem fazer igual. Isso é só para as do carnaval, no sambódromo. A nudez delas é selada, registrada, carimbada. No sambódromo, com câmeras e imprensa autorizada, pode.
Mas a menina que tira a roupa no baile pode ser "indiciada por ato obsceno, cabendo pena de três meses a um ano de prisão", disse o delegado.

Ah, façam me o favor. Quando houver o mínimo de coerência a gente conversa.

Tuesday, November 06, 2007

Notícia

06/11/2007 - 14h22
Quarenta e cinco imigrantes africanos morrem no mar

NUAKCHOTT, 6 Nov 2007 (AFP) - Quarenta e cinco imigrantes africanos morreram de fome, frio e sede no mar, diante das costas africanas, devido a uma avaria no motor da embarcação com a que tentavam alcançar as ilhas Canárias, informaram fontes oficiais da Mauritânia.


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Essa é a notícia que acabei de ler no uol.

Eles tinham nome?
O que estavam fazendo no mar?
Tinham família?
De onde eram ("Africa" é levemente generalizado)?

É tão insignificante assim? Mesmo que sejam quarenta e cinco pessoas?

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