Monday, October 08, 2007

Huck x Ferréz

Ainda falando sobre o triste tema: Luciana Huck foi assaltado, e escreveu semana passada um texto que foi publicado na Folha / UOL. O texto era revoltado, meio que como o meu, um grito pedindo socorro como muitos que temos escutado.

E já que eu gosto de polêmica, segue um texto contando o outro lado da história.

Pensamentos de um "correria"
FERRÉZ


--------------------------------------------------------------------------------
"Ele não terá homenagem póstuma se falhar. Pensa: "Como alguém usa no braço algo que dá pra comprar várias casas na quebrada?"
--------------------------------------------------------------------------------


ELE ME olha, cumprimenta rápido e vai pra padaria. Acordou cedo, tratou de acordar o amigo que vai ser seu garupa e foi tomar café. A mãe já está na padaria também, pedindo dinheiro pra alguém pra tomar mais uma dose de cachaça. Ele finge não vê-la, toma seu café de um gole só e sai pra missão, que é como todos chamam fazer um assalto.
Se voltar com algo, seu filho, seus irmãos, sua mãe, sua tia, seu padrasto, todos vão gastar o dinheiro com ele, sem exigir de onde veio, sem nota fiscal, sem gerar impostos.
Quando o filho chora de fome, moral não vai ajudar. A selva de pedra criou suas leis, vidro escuro pra não ver dentro do carro, cada qual com sua vida, cada qual com seus problemas, sem tempo pra sentimentalismo. O menino no farol não consegue pedir dinheiro, o vidro escuro não deixa mostrar nada.
O motoboy tenta se afastar, desconfia, pois ele está com outro na garupa, lembra das 36 prestações que faltam pra quitar a moto, mas tem que arriscar e acelera, só tem 20 minutos pra entregar uma correspondência do outro lado da cidade, se atrasar a entrega, perde o serviço, se morrer no caminho, amanhã tem outro na vaga.
Quando passa pelos dois na moto, percebe que é da sua quebrada, dá um toque no acelerador e sai da reta, sabe que os caras estão pra fazer uma fita.
Enquanto isso, muitos em seus carros ouvem suas músicas, falam em seus celulares e pensam que estão vivos e num país legal.
Ele anda devagar entre os carros, o garupa está atento, se a missão falhar, não terá homenagem póstuma, deixará uma família destroçada, porque a sua já é, e não terá uma multidão triste por sua morte. Será apenas mais um coitado com capacete velho e um 38 enferrujado jogado no chão, atrapalhando o trânsito.
Teve infância, isso teve, tudo bem que sem nada demais, mas sua mãe o levava ao circo todos os anos, só parou depois que seu novo marido a proibiu de sair de casa. Ela começou a beber a mesma bebida que os programas de TV mostram nos seus comerciais, só que, neles, ninguém sofre por beber.
Teve educação, a mesma que todos da sua comunidade tiveram, quase nada que sirva pro século 21. A professora passava um monte de coisa na lousa -mas, pra que estudar se, pela nova lei do governo, todo mundo é aprovado?
Ainda menino, quando assistia às propagandas, entendia que ou você tem ou você não é nada, sabia que era melhor viver pouco como alguém do que morrer velho como ninguém.
Leu em algum lugar que São Paulo está ficando indefensável, mas não sabia o que queriam dizer, defesa de quem? Parece assunto de guerra. Não acreditava em heróis, isso não!
Nunca gostou do super-homem nem de nenhum desses caras americanos, preferia respeitar os malandros mais velhos que moravam no seu bairro, o exemplo é aquele ali e pronto.
Tomava tapa na cara do seu padrasto, tomava tapa na cara dos policiais, mas nunca deu tapa na cara de nenhuma das suas vítimas. Ou matava logo ou saía fora.
Era da seguinte opinião: nunca iria num programa de auditório se humilhar perante milhões de brasileiros, se equilibrando numa tábua pra ganhar o suficiente pra cobrir as dívidas, isso nunca faria, um homem de verdade não pode ser medido por isso.
Ele ganhou logo cedo um kit pobreza, mas sempre pensou que, apesar de morar perto do lixo, não fazia parte dele, não era lixo.
A hora estava se aproximando, tinha um braço ali vacilando. Se perguntava como alguém pode usar no braço algo que dá pra comprar várias casas na sua quebrada. Tantas pessoas que conheceu que trabalharam a vida inteira sendo babá de meninos mimados, fazendo a comida deles, cuidando da segurança e limpeza deles e, no final, ficaram velhas, morreram e nunca puderam fazer o mesmo por seus filhos!
Estava decidido, iria vender o relógio e ficaria de boa talvez por alguns meses. O cara pra quem venderia poderia usar o relógio e se sentir como o apresentador feliz que sempre está cercado de mulheres seminuas em seu programa.
Se o assalto não desse certo, talvez cadeira de rodas, prisão ou caixão, não teria como recorrer ao seguro nem teria segunda chance. O correria decidiu agir. Passou, parou, intimou, levou.
No final das contas, todos saíram ganhando, o assaltado ficou com o que tinha de mais valioso, que é sua vida, e o correria ficou com o relógio.
Não vejo motivo pra reclamação, afinal, num mundo indefensável, até que o rolo foi justo pra ambas as partes.


--------------------------------------------------------------------------------
REGINALDO FERREIRA DA SILVA , 31, o Ferréz, escritor e rapper, é autor de "Capão Pecado", romance sobre o cotidiano violento do bairro do Capão Redondo, na periferia de São Paulo, onde ele vive, e de "Ninguém é Inocente em São Paulo", entre outras obras.
Leia o artigo de Luciano Huck em www.folha.com.br/072801

Wednesday, October 03, 2007

Vendo de fora, fica pior

Cá estou eu retomando minhas atividades neste blog após quase 2 meses ensaiando. Tenho pensado muito em muitas coisas para escrever. Todo dia acontece alguma coisa, ou eu vejo alguma coisa, e escrevo um texto mentalmente enquanto pego o metrô ou ando até em casa. Mas áté chegar no computador, o texto se desfez e a inspiração daquele momento foi substituída pelas tarefas domésticas ou profissionais e o blog acaba ficando para depois, esperando um momento em que oportunidade e inspiração se encontrem novamente.

Eu gostaria de retomar meus pensamentos aqui com notícias boas ou histórias divertidas. Mas não consigo ignorar uma angústia que tem me perseguido nos últimos dias, alimentada pelas notícias que ando tendo do Brasil.

Estou aqui, neste país distante e pequeno, ilhada e coberta por nuvens. Este país pequeno mas notável, que protege sua economia, que usa como argumento para vender mais o fato de que seus produtos são 100% britânicos. E se não são, vêm com uma enorme etiqueta explicando o que é Fairtrade e atestando que os produtores daquela banana - normalmente de países em desenvolvimento - receberam o valor justo pela sua produção. Este país que parece frio mas que vai conquistando aos poucos pela seriedade com que trata dos assuntos sérios e pela liberalidade com que aceita o novo. E foi aqui, protegida pela segurança de um país que zela pelas suas pessoas, que recebi as últimas notícias do Brasil distante.

Alguém levou um tiro. Alguém próximo, pai de quem me deu a notícia. Na Marginal Pinheiros, ali mesmo, onde passei todos os dias durante anos enquanto trabalhava na Ed. Abril, e continuei passando depois. Ali onde quase todos os meus amigos passam todo dia. O trânsito estava congestionado e o ladrão bateu com o revólver na janela da vítima. A vítima, de carro blindado, ignorou. Fingiu que não estava vendo e continuou olhando pra frente. O ladrão parou a moto em diagonal na frente do carro, com a maior calma do mundo, e atirou. Simples assim, no meio dos carros, em plena avenida, à luz do dia. Assim, normal.

Não, o pai do meu amigo não morreu, porque estava de carro blindado. Porque a família tem dinheiro ganho com trabalho e suor, merecidamente, e não pode ir e vir livremente. Mas e quem não tem? (Diga-se de passagem, praticamente todo mundo.)

O mais triste dessa história é que vocês devem estar lendo este texto e se perguntando "tá, mas cadê a novidade? Por que ela está tão revoltada?"
Estou tão revoltada porque sei que isso não está certo, porque estou vivendo de forma mais humana, estou vendo de fora o tamanho do absurdo brasileiro. Porque estou num lugar onde se um ladrão de galinhas entra na sua casa pensando que vai só pegar umas coisinhas e sair despercebido, a polícia chega com uma equipe enorme 3 minutos depois fazendo perguntas e tirando digitais. Porque o que é seu é seu e ninguém tem o direito de invadir. Porque o normal é ter porque se trabalhou e mereceu, e não porque roubou. Se você tem dinheiro, o pobre vai te admirar e não te odiar. Mas vamos combinar que o pobre aqui é bem mais rico que o pobre daí.

Tá tudo errado.

Tirar algo do outro já é errado.

Tirar a vida, é inadmissível.

Por favor, não se acostumem com isso, não achem que é normal. Não é!!! Eu estava acostumada. Precisei sair pra olhar de fora e enxergar o tamanho do escândalo. Espero nunca mais me acostumar. Eu sou mais uma brasileira apaixonada pelo Brasil, pela sua alegria de viver, pelas suas pessoas, que está com medo do Brasil. É triste dizer isso, e eu vou voltar, mas estou com medo. Eu aprendi a andar sem medo pelas ruas, e não sei como será quando eu tiver que desaprender.

Friday, August 10, 2007

O Museu

Uma das coisas que eu tinha em mente quando vim pra Londres, sabendo que arrumar um trabalho em marketing poderia ser mais demorado e complicado, era trabalhar em um museu. Eu tinha a impressão de que seria um trabalho tranquilo e enriquecedor, se comparado aos trabalhos em loja ou restaurante que a brasileirada aqui faz.

Quando, por acaso, eu encontrei aqui perto de casa um museu lindinho, escondidinho numa rua silenciosa, só de embalagens, marcas e propagandas, achei que estava tendo uma visão. Museu + propaganda numa coisa só!

Fui lá perguntar, na maior cara-de-pau, se estavam com alguma vaga aberta. Como nada é perfeito, não, não tinham vaga. Mas estavam precisando de voluntários. Apesar de eu ter que começar a ganhar dinheiro - é um fato, não seria de todo mau começar a ter contato com pessoas inglesas de verdade (depois da experiência traumática da revista brasileira) e empresas patrocinadoras do museu, além de exercitar o inglês, me ocupar e ter no currículo um trabalho num museu bacana desses.

Então, hoje eu comecei. O museu é lindo, os visitantes saem sorrindo e é, na maior parte do tempo, tranquilo. A minha companheira voluntária de hoje era uma paquistanesa apaixonada por sapatos, que ficou a manhã inteira me fazendo mostrar pra ela os sites das sapatarias brasileiras.

Ela também desabafou comigo que não quer voltar pro Paquistão de jeito nenhum, porque os pais dela estão arranjando um casamento pra ela. E ela quer escolher o próprio marido. Mas ao mesmo tempo, se ela aparecer com um marido que tenha conhecido aqui em Londres, eles deserdam. Enquanto ela contava essa história, fiquei imaginando o carnaval na Bahia. Meu Deus. Como pode um planeta só ter opiniões tão diferentes?

Esse é o site do museu, vejam que bonitinho que ele é: http://www.museumofbrands.com/

E se alguém quiser organizar um grupo pra visitar, é só falar comigo que eu faço desconto ;-)

Thursday, August 09, 2007

...

Este post é só pra dizer que reconheço o meu fracasso em cumprir, logo no segundo dia (e no terceiro e no quarto e no quinto também), a promessa que fiz. Não sei porque eu ainda acho que um dia posso ser uma pessoa decente que consiga manter uma disciplina qualquer.

Mas eu juro que fiquei com uma infecção no ouvido que não me deixava nem raciocinar e assim que eu melhorei chegou a minha tia e agora eu saio cedo e chego tarde e cansada porque fico fazendo turismo com ela o dia todo.

Mas não pensem que estou só passeando por aí.

Entre um Big Ben aqui e uma National Gallery ali, consegui reunir os documentos e ir lá na London School of Marketing e estou matriculada.

E amanhã terei mais novidades mas eu só vou contar amanhã.

E boa noite.

Thursday, August 02, 2007

Essas promessas que a gente faz

Eu prometi pra mim mesma (e cometi o engano de contar isso pra alguns amigos) que eu ia escrever todos os dias. Pra não perder o fio da meada e pra exercitar.

Só que, depois de algumas taças de vinho, está difícil achar inspiração pra escrever sobre o aquecimento global que não têm aquecido muito a Inglaterra (e pelo visto, o Brasil também não), ou sobre os costumes excêntricos britânicos ou sobre a procura desesperada de emprego.

Então vou contar que hoje recebemos nossos vizinhos franceses, que têm sido uns amores. Eles deixam revistas especializadas em marketing quase todos os dias na minha caixa de correio e hoje trouxeram a Lilou, a filha fofa de 1 ano deles, aqui em casa.

Não sei como, mas o papai francês conseguiu fazer uma acrobacia com a taça de vinho que sujou, ao mesmo tempo:

- o sofá;
- o tapete;
- o nosso globo que estava na prateleira a uns 2 metros do acidente;
- a camisa dele inteira;
- a mesa;
- a almofada.

Ainda bem que existe Vanish, que tira as manchas em segundos! (o que seria de mim se eu não tivesse atendido a Reckitt Benckiser?)

Além disso, também fui encarregada de regar as plantinhas deles enquanto eles estiverem de férias na Bretanha.

O Ric está assistindo Heroes na nossa nova TV super mega fashion, e eu estou caindo de sono. E ainda tenho que ler mais algumas páginas do Harry Potter que eu não li NENHUMA hoje.

Boa noite a todos e usem Vanish!

Wednesday, August 01, 2007

Mais sobre o sol

Temos uma amiga aqui em Londres, a Manu, que uma vez veio com uma teoria de que as pessoas precisavam de sol. Digo, no sentido de combustível mesmo, fisicamente. Que o sol liberava partículas de sei lá o quê no corpo da gente, e de alguma forma deixava a gente mais feliz. Achei a teoria meio pirada, mesmo porque tenho um marido que detesta muito sol e curte muito mais um friozinho, que não deixa ele suando que nem um louco.
Mesmo porque, o que seria da população das cidades onde chove muito ou faz muito frio, se essa teoria fosse verdadeira?

Mas depois de cinco meses de frio, primeiro no inverno e primavera de Londres e depois em São Paulo, nós fomos para Veneza. Em pleno verão. Não o verão de Londres: verão do mar Adriático, verão de 40 graus. E eu fiquei feliz, muito feliz, sem entender muito o porquê. Sair do hotel e sentir aquele bafo quente e aquele cheiro de mar fez alguma coisa comigo que eu não sei o que foi, mas foi bom. E aquelas casinhas todas coloridinhas, com flores nas janelas? E todo mundo andando de shorts e sandálias? E a sensação de tomar um sorvete ou chá gelado, enquanto uma gotinha de suor desce pelo seu pescoço? Delícia.

Não é só o sol. É o que ele faz com as pessoas. Se elas se sentem melhor, elas fazem coisas mais bonitas, mais alegres. Eu nunca consegui entender a razão pela qual os ingleses não se importam em ter suas casas todas iguaizinhas, de tijolo ou no máximo pintadas de branco. Aqui em Notting Hill, vá lá, alguns ainda pintaram de outras cores. E esse é o maior charme do bairro. Sério.

Talvez seja algo pessoal - isso é importante pra mim, me faz bem, porque eu tenho histórico da vida inteira passando férias na praia, torrando no sol, tomando caipirinha e cerveja gelada. Esse clima quente e colorido faz parte do meu "om", como diz nosso vizinho James. O "om" é o seu lugar físico, segundo ele, no qual você se sente mais perto do êxtase, do prazer físico e espiritual.

Aqui em Londres estou muito longe do meu "om" - que depois de alguma reflexão eu concluí que deve ser boiando no mar de Guaecá e sentindo o sol torrando meu rosto. Estou longe dos meus amigos e da minha família, que são importantes pra mim como eu só fui entender quando me afastei. Estar longe faz a gente entender as coisas melhor.

O Brasil não é o país melhor pra se viver, definitivamente. Um lugar onde você corre o risco de morrer parado num sinal, não pode ser. Um lugar onde a pobreza se multiplica, onde barracos servem de casa pra tanta gente, não pode ser. E eu estava louca pra sair do Brasil por isso, porque eu tinha medo. E agora vejo que o que vale a pena é estar perto das pessoas queridas. É poder, numa noite quente, tomar uma cerveja gelada com papo furado, ou não, com alguém querido. É poder ter tanto sol e calor que quando faz frio, a gente fica feliz de poder comer um fondue e ficar embaixo das cobertas.

Sem dúvida, vir pra Londres me fez gostar mais do Brasil. E descobrir que sim, eu preciso do sol.

Felicidade é ter CINCO dias seguidos de sol.

De volta a Londres

Terça-feira, onze horas de uma manhã ensolarada em Londres, e o meu celular começa a tocar. O número que aparecia na tela era desconhecido, o que, em tempos de distribuição de currículo, faz o coração bater.

Era o policial. Responsável pelo caso do ladrão ousado que pulou a janela aqui de casa pra pegar uma coisinhas no caminho pra casa dele.

O policial queria saber como foi o casamento e desejar felicidades.

Tuesday, June 12, 2007

A mudança das estações

Essa era a vista da nossa janela, no fim de março.


... e essa é a vista da nossa janela ontem!

Este Blog NÃO foi abandonado!

Todos vocês sabem que estamos numa contagem regressiva deliciosa e alucinante. Para voltar para o Brasil, para rever todo mundo, e claro, para o casamento!

É impressionante como a gente consegue se ocupar mesmo sem estar trabalhando. Sempre aparece alguma coisa para fazer. Uma casa nunca está perfeita: sempre tem uma faxina aqui, um cesto de roupas pra lavar ali, uma prateleira pra arrumar. Isso sem contar os e-mails e trocas de informações com o Brasil sobre o casamento e seus inúmeros desdobramentos - chá-bar, teste da maquiagem, prova do vestido, roupas dos padrinhos, lua de mel, etc etc etc. E também um monte de amigos pra gente colocar o papo em dia pelo messenger, skype ou afins.

Mas tudo isso só para dizer que estivemos incrivelmente ocupados nesses últimos dias, e pela própria natureza da ocupação, sem muitas notícias para o Blog.

Mas também tivemos duas visitas muito especiais na semana passada e no fim de semana que merecem uma fotinho aqui no blog!

Dona Dri Spaca com seu marido Lubo Farofa, queridíssimos, que fizeram uma paradinha em Londres entre um país e outro de uma viagem incrível, e nosso super cunhado Xande, que passou por aqui no fim de semana e que nos proporcionou uma companhia maravilhosa!

Viva as pessoas que vêm nos visitar! :-)
Será que elas imaginam o quanto a gente fica feliz em ter perto de nós as pessoas queridas???


Sunday, June 03, 2007

Mais Amsterdam

O abraço grátis na praça...



...a bolacha do chopp...



...e a lembrança do Brasil.

Saturday, June 02, 2007

Amsterdam - a cidade das bicicletas

Eu sempre digo que o ser humano tem uma capacidade incrível de se adaptar às as coisas.
A gente pode ver uma coisa pela primeira vez e achá-la esquisitíssima. Mas depois de um tempo convivendo com ela, não vamos achar mais tão esquisito assim.
Sou totalmente leiga no assunto ciência-genética-medicina ou sei lá que área é essa, mas meu feeling (que costuma funcionar) me diz que essa é uma característica que vem conosco desde os primórdios da nossa existência, uma questão de defesa do ser humano mesmo.
Deve ser por isso que os brasileiros não se revoltam mais com o fato de ter gente morrendo a tiros toda hora, vítimas da violência gratuita. Também deve ser por isso que, durante a guerra, milhares de pessoas viveram em porões e estações de metrô, em condições sub-humanas, e sobreviveram. E também deve ser por isso que estou quase começando a achar as Crocs bonitinhas (socorro). O ser humano se acostuma, e se adapta, a (quase) todas as situações.

E Amsterdam é a prova disso. Cidade liberal, promíscua, sexual. E também linda, civilizada, com seus canais e bicicletas.
É uma cidade que pode chocar à primeira vista, pra cinco minutos depois te ensinar a se sentir à vontade.

Sex-shops em seqüência por ruas e mais ruas próximas ao distrito do red light. Um monte de gente entrando e saindo sem a menor cerimônia.
Dois quarteirões depois, você se pega entrando em um também. Afinal, isso é programa típico. Em Roma, como os romanos (e neste caso, bastante influenciado por Bacco).
Sé é que existe algum tipo de estereótipo de freqüentador de sex-shop, definitivamente não é ele que você vai encontrar em um de Amsterdam. Grupos de mocinhas curiosas, casais discretos, senhores e senhoras de idade, todos analisando as prateleiras e seus apetrechos como se estivessem diante de uma prateleira de sapatos. Ou qualquer outra coisa bem comum e rotineira.
E você, de repente, se pega olhando para um objeto assustadoramente enorme sem ao menos ficar vermelho. E o cara do seu lado escolhe um deles, pega e leva pro caixa, e você nem acha aquilo estranho.

Refletindo sobre isso, cheguei à conclusão de que o red light district é fichinha perto dos sex-shops e coffee-shops (que são a mesma coisa, mas na versão drogas ao invés de apetrechos sexuais). Depois disso, nem vale a pena escrever sobre as moçoilas de lingerie nas vitrines. O interessante é ver gente comum participando do incomum, isso sim.

O que Amsterdam é, na verdade, é um balde de realidade jogada na sua cara. Tudo o que existe em qualquer cidade, em qualquer país do mundo, mas de forma escancarada e sem vergonha. Se isso faz as pessoas que moram lá perderem mais o rumo do que nas cidades onde isso tudo é proibido? Acho que não. Quem faz, faz em qualquer lugar, proibido ou não. Aliás, o fato de ser tudo tão aberto me deu a sensação de uma consciência muito maior.

Se eu levaria meus filhos pequenos para passear no red light, como vi muitos pais fazendo? Não.
Ainda acho que tem tempo certo para descobrirmos a nossa capacidade de nos acostumar com tudo.
E, onde a realidade é tão escancarada assim, a inocência vale ouro.
Ainda bem que tem os canais e as bicicletas para fazerem a gente sonhar.



Tuesday, May 29, 2007

Amsterdam - primeiro capítulo

Amsterdam foi uma viagem de 3 dias que rendeu 300 histórias. Por isso vou tentar me controlar e escrever aos poucos aqui, cada parte de uma vez, pra tentar contar todas as coisas bacanas que nos aconteceram.

Tudo começou na sexta-feira à noite. O plano inicial era dormir cedo, acordar (muito) cedo e ir para o aeroporto, já que o avião estava programado para decolar as 6:30 da manhã.

A gente esqueceu que não tem carro e que depende do transporte-público-da-madrugada.
Quando fizemos as contas de que horas precisávamos sair de casa, pra andar até o ponto de ônibus, esperar por ele, ir até a estação de trem, pegar o trem e ir até o aeroporto, chegamos à conclusão de que tínhamos aproximadamente 1 hora pra arrumar as malas, deixar a casa em ordem e sair. Nada de dormir.

Às 2 da manhã conseguimos sair de casa, puxando nossas malinhas (acreditem, eu CONSEGUI fazer uma malinha tão pequena que fiquei uma meia hora admirando. Também por isso nos atrasamos). Chegamos no ponto de ônibus, que fica quase na esquina da nossa rua com uma das ruas principais do bairro, em baixo de um viaduto. Acreditem, não é o lugar mais família do mundo pra se ir numa sexta-feira de madrugada. Ao nosso lado, um casal - ele árabe e ela metade-indiana-metade-mulata, também de malinha na mão. Um inglês do outro lado da rua começou a chutar um outro cara, o maior barraco. O árabe do nosso lado abraçou a namorada e chegou mais perto da gente. Alguns minutos depois, parou um carro (uma mercedes, se não me engano) na nossa frente. O cara desceu e começou a fazer xixi na roda. A centímetros de nós. O árabe começou a expressar sua revolta e repetir que o cara era disgusting, disgusting. Começamos a bater papo com ele, comentando como as pessoas são mal-educadas e o papo foi embora, já que o ônibus não chegava. Ele contou pra gente que nasceu na Somalia e cresceu em algum lugar árabe que não consegui de jeito nenhum entender o nome. Ele era de uma educação e de um respeito com a namorada que me despertaram uma admiração profunda já nos primeiros minutos de conversa. Quem ia viajar era ela, que na verdade era holandesa e estava indo pro casamento da prima na Noruega.
Vira e mexe acontece isso aqui em Londres: tudo ao contrário, pra derrubar os pré-julgamentos e fazer a gente aprender que ser humano é ser humano, não importa a cara que tenha, e o que o caráter é outra coisa que não tem nada a ver com isso. Adoro. É ótimo se surpreender com as pessoas e descobrir belezas onde nem imaginávamos.
O árabe acabou me dando um monte de nomes de agências de emprego, porque a essa altura já estávamos no maior papo contando toda a nossa saga aqui em Londres, procura de emprego e etc, até que o ônibus chegou. Ele esperou a gente e a namorada dele entrarmos no ônibus e ficou dando tchauzinho. Um fofo.

Claro que a história não podia terminar aí. Depois de 1 hora de ônibus e 352 paradas, chegamos na estação de trem. E não tinha trem. Eram umas 3 e meia da manhã. Saímos vagando pela rua tentando achar o terminal rodoviário - era nossa última esperança de achar transporte pro aeroporto a tempo de pegar o avião. E não é que, no meio do nada, na rua, damos de cara com o EasyJet Express? EasyJet é a companhia aérea com a qual compramos as passagens. E o ônibus estava indo direto pro aeroporto. Londres também é meio mágica às vezes, quando você acha que se perdeu, aparece um ônibus indo exatamente para onde você quer. E não foi a primeira vez e nem só com a gente que isso aconteceu!

Sono. Muito sono. Parecia que eu tinha acabado de começar a cochilar quando , depois de mais de uma hora de viagem, chegamos no aeroporto. E, pela primeira vez na vida, eu conheci o fog londrino. Mas não vale, eram 5 da manhã e essa hora tem fog em qualquer lugar. Tanto frio que eu duvidei que estávamos entrando no verão.

O aeroporto não deixava a desejar pra congonhas em dia de crise aérea. Em plena madrugada, milhares de caras sonolentas esperando pra fazer check-in, aproveitando as tarifas baixíssimas dos vôos entre cidades da europa, fugindo da cidade grande em busca do solzinho de começo de verão europeu. Tirando Amsterdam e Istambul, o resto era só Palma, Ibiza e adjacências. Todo mundo de havaianas em pleno fog da madrugada, 10 graus centigrados. Europeu é um povo engraçado mesmo... e a gente de casacão e cachecol ;-)

Sono, muito sono... mas muita coisa ainda estava por vir!




Thursday, May 24, 2007

Alguém me explica essa estátua?

Os 4



Agora sim, o quarteto junto. Piccadilly Circus, o lugar que seria o primeiro a sumir se o Kassab fosse prefeito.

Oxford

Oxford é uma cidadezinha linda, medieval, com uma supresa a cada esquina. Nem sei quais são as principais atrações turísticas de lá, porque tudo é bonito, tudo é atração. Cada ruazinha, cada ponte ligando um prédio a outro, cada muro, cada monumento ou jardim.

Fiquei quase louca de não ter estudado mais o lugar antes de ir - sabe aquelas cidades onde tudo, mas tudo mesmo, deve ter uns mil anos de história? Tenho sofrido muito desse mal aqui em Londres - o da ignorância de ir a um museu ou a um monumento e ter aquela sensação de que poderia estar me emocionando ainda mais, se tivesse lido tudo a respeito antes de ir, pela quantidade de histórias que cada canto deve ter. Mas tudo bem. Como já diria um livro que eu li, um museu vai sempre deixar uma sensação de angústia ao se sair dele - porque você nunca vai conseguir absorver tudo o que ele tem a oferecer...

E Oxford é isso, um museu a céu aberto, uma maravilha, uma pérola medieval cheia de escolas milenares e jardins secretos maravilhosos.

E o melhor? Tem um ônibus que passa de 10 em 10 minutos aqui do lado de casa, baratinho, que vai direto pra lá :-)

Mais um motivo para quem ainda não veio, se agilizar e vir nos visitar! Assim como fizeram nossos últimos hóspedes Camila e Digão! Viva o sofá-cama mais uma vez!
E viva nossos hóspedes-padrinhos que nos proporcionaram uma semana de companhia deliciosa e muitas risadas!









Mais uma voltinha no quarteirão



Sunday, May 13, 2007

Do que Londres é feita






É claro que Londres é legal... acho que isso já ficou claro por todas as coisas que já foram escritas aqui.

Mas por quê é legal?

Por mil motivos.

Um deles eu apresento e ilustro neste post. Vejam algumas, repito, algumas das pessoas que cruzaram o nosso caminho em apenas algumas horas de passeio. Isso é só uma amostra de quem encontramos indo trabalhar, voltando do trabalho, passeando, às vezes em enorme quantidade, às vezes apenas alguns exemplares, dependendo do lugar, horário e circunstância.

Londres é de todos. Todas as tribos, línguas, personalidades. Por isso que todo mundo se sente tão em casa. E o melhor - ninguém fica olhando feio pra ninguém.

Wednesday, May 09, 2007

A primeira Hay Fever a gente nunca esquece







Então, eu peguei a dita cuja. Achei que estava resfriada, acabei com meu estoque de Naldecons que trouxe do Brasil, e nada de melhorar. Já estava achando que estava com alguma coisa muito grave quando descobri a Hay Fever. Basicamente, eu inalei muito pólen das flores durante as primeiras semanas de primavera (não é uma doença romântica?) e fiquei com uma reação alérgica no sistema respiratório. É. Mas agora, que descobri, achei um remedinho que promete me livrar dos sintomas em 7 dias.
Não, não fiquei cheirando todas as flores do meu caminho.
O pólen se espalha pelo ar e a gente vê, nas calçadas, montinhos dele formados pelo que cai das árvores. Em algumas ocasiões, fica tão forte que parece até que está nevando.

Pode? Árvore demais também causa problemas! Bom, eu continuo preferindo a hay fever ao nariz sangrando da poluição + ar seco do verão passado em SP.

(Update: depois de escrever isso, li uma reportagem que saiu no mesmo dia, no jornal, que a Hay Fever este ano está batendo todos os recordes. O calor faz a produção de pólen aumentar, e a poluição faz o pólen ficar mais fino e se espalhar mais pelo ar, e tá todo mundo hay-feverado. As vendas de remédios registraram alta de 177% em comparação ao ano passado. A coisa tá feia!)

Thursday, May 03, 2007

O nosso não-feriado

Londres foi o único lugar de que eu tive notícias que não teve feriado no dia 1. de maio. Não sabendo disso, meu super amigo Nandito Firminito Iglesias Gonsalez (agora na versão catalón) resolveu vir nos visitar (nas terras dele, assim como no resto do mundo, foi feriado). De quebra acabamos ganhando uma outra hóspede fofa, a Milena, e tivemos um não-feriadão juntos!

Viva a pint australiana (a inglesa não dá!) e viva nosso sofá-cama!