Tuesday, November 06, 2007








Poppy Appeal





Eu estava vendo um monte de gente usando uma florzinha de papel (ou plástico?) na lapela e não estava entendendo nada. Nas ruas, na TV, no escritório, todo mundo usando a tal da florzinha.

Então descobri que todo ano, nesta época, existe uma mobilização chamada "Poppy Appeal". Uma instituição fundada unicamente para esse fim produz as florzinhas e vende, e o dinheiro vai todo para os ex-soldados que lutaram nas guerras ou suas famílias. Aí me lembrei que já tinha visto as tais florzinhas vermelhas em monumentos e túmulos, todos relacionados à guerra. As imagens acima são da campanha de arrecadação deste ano, que está acontecendo agora. A flor virou símbolo do respeito aos que morreram ou lutaram nas guerras e está presente em todas as homenagens.

A coisa é tão séria que todo mundo, mesmo os mais jovens que não viveram nenhuma guerra, apoiam e compram a florzinha. Mas o mais legal é que eles inventam, a cada ano, novas e mais divertidas formas de participar. Além de comprar a flor e usar na lapela, é possível adicionar uma imagem dela no rodapé de cada e-mail enviado, fazer download para o celular, dar uma flor virtual através do Facebook, além de fazer doações em dinheiro através do site ou oferecer seu tempo como voluntário para a instituição.

Mais informações:
http://www.poppy.org.uk/

Notícia

06/11/2007 - 14h22
Quarenta e cinco imigrantes africanos morrem no mar

NUAKCHOTT, 6 Nov 2007 (AFP) - Quarenta e cinco imigrantes africanos morreram de fome, frio e sede no mar, diante das costas africanas, devido a uma avaria no motor da embarcação com a que tentavam alcançar as ilhas Canárias, informaram fontes oficiais da Mauritânia.


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Essa é a notícia que acabei de ler no uol.

Eles tinham nome?
O que estavam fazendo no mar?
Tinham família?
De onde eram ("Africa" é levemente generalizado)?

É tão insignificante assim? Mesmo que sejam quarenta e cinco pessoas?

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Friday, November 02, 2007

Fight for Kisses




Propaganda boa?
Mídia alternativa / espontânea?
Viral?

Nem vou comentar nada. Só entrem neste link, POR FAVOR: http://www.ffk-wilkinson.com/

(JWT França)

Monday, October 29, 2007

As boas e simples idéias

Tem algumas coisas que a gente vê pelo mundo e pensa: "como é que não copiaram isso no mundo todo ainda?". São tão simples e geniais.

Uma delas foi a campanha da National Gallery há alguns meses.

A National Gallery tem um dos maiores e mais belos acervos de Londres. É um museu enorme, que exige muitas horas do visitante para que ele veja tudo. Só veja, porque pra absorver e admirar de verdade e merecidamente, tem que voltar muitas e muitas vezes.

Pois então. Pra divulgar as obras do seu acervo, a National Gallery não tentou criar nenhuma frase genial que convencesse as pessoas a se interessarem por arte. Eles deram amostra grátis. Isso mesmo, espalharam por vários pontos de Londres cópias - em tamanho natural - das obras. Assim, enbelezaram as ruas e chamaram a atenção para o museu, despertando nas pessoas a vontade de ver mais. Além de cada plaquinha ao lado dos quadros com infomações sobre a obra, a pessoa também encontrava um número de telefone para o qual poderia ligar e escutar a explicação detalhada do "audio guide" do museu.

Fantástico, não?









Fizemos faxina no mural!



Legenda:

- Matéria tirada do jornal grátis "If you only do 10 things, then do these". Ainda não fizemos nenhuma;
- Cartão "Hahaha" - cada vez mais útil a cada manhã;
- Folheto do museu que eu era voluntária;
- Foto do Ralph, o "pet of the day" do jornal grátis. Um fofo;
- Cartão postal do meu quadro preferido do Van Gogh (Starry Night) e de umas latinhas pra lembrar de fazer supermercado (...);
- Cartão postal anti-bush. Todo inglês deve ter um;
- Cartões postais lindos lindos de São Paulo, presente-surpresa de um amigo querido;
- Folheto que mostra o que reciclar e o que não reciclar;
- Bilhete do vizinho agradecendo a festinha no nosso apê;
- Bolacha de chopp de Amsterdam e bolachão de sorvete da Harrods;
- Nossos números de celular pras visitas;
- Ingressos pro show do Mika em dezembro (uhuuuu);
- Cartão com uma das melhores frases já escritas: "Inside me lives a skinny woman crying to get out. But I can usually shut the bitch up with cookies";
- E a conta de gás.

Como ver Londres inteira (e mais um pouquinho) em um fim de semana

Chamem a Tininha! E se ela trouxer a dupla dinâmica dela, a Dani, fica ainda melhor :-)
(E olha que a Dani lava louça e limpa a casa que é uma beleza!)















Meu primeiro (quase) piti

Não me lembro se já contei em algum texto remoto deste blog sobre os pitis públicos que eu já presenciei aqui em Londres.

Uma vez, uma velhinha que estava no mesmo ônibus que a gente apertou o botão pro ônibus parar e ele não parou e passou reto pelo ponto. A velhinha não teve dúvida. Foi até a janelinha do motorista e começou a gritar, não em voz crescente mas de repente mesmo, e tanto e tão alto que o ônibus inteiro levou o maior susto até entender o que estava acontecendo. Segundos depois, a velhinha estava batendo (não estou exagerando, juro) a bengala no vidro da janelinha com tanta força e gritando tanto que eu achei que ia acabar em sangue. O motorista, bem nervosinho também, gritava de volta como se estivesse falando com uma adolescente rebelde. Foi uma cena inacreditável. No final da história, a velhinha acabou descendo no próximo ponto jurando que ia denunciar o "mister driver" (durante toda a pancadaria ela manteve a classe chamando ele o tempo todo só de "mister driver") e tirar a licença dele pra sempre.

Acho que depois dessa, eu vi pelo menos mais uma dezena de cenas assim. O ônibus é o ambiente vencedor, de longe, em números de casos. Mas filas em geral também são bem propícias. A do correio deve ser o segundo lugar (como na vez que uma outra senhora ficou tão revoltada que só tinha um caixa atendendo que ficou meia hora declamando sobre os direitos dos cidadãos que fez o resto da fila esperar ainda muito mais do que já estava esperando com o dito cujo do único caixa). A melhor delas foi um senhor (incrível, quase sempre são pessoas de idade) que estava tão indignado pelo fato de o motorista não ter esperado uma velhinha se sentar pra fazer o ônibus andar, que berrou tanto lá de trás de onde ele estava, que o motorista parou o ônibus até a velhinha se acomodar.

E hoje foi a minha vez.

Desci a escada do ônibus (eu sempre volto no segundo andar vendo a vista) um ponto antes para dar tempo (os londrinos vão rir de mim, mas eu morro de medo de não conseguir descer em cima da hora). Cheguei lá embaixo e apertei o botãozinho pra parar no próximo, que era o meu. E comecei a digitar uma mensagem de texto no celular, muito complexa por sinal, pedindo pro Ricardo pegar meus casacos na lavanderia quando saisse da aula. Quando eu olho... cadê meu ponto? Passou! E o ônibus continuou indo, virando pra cá, virando pra lá, e eu zonza tentando entender o caminho que teria que fazer de volta e ao mesmo tempo sentindo os olhares ao meu redor, ansiosos por uma briga, sedentos por justiça. Eu nunca passei daquele ponto. Nunca fui adiante, e não sabia que o adiante era tão tortuoso e cheio de curvas. E nem que o próximo ponto era tão longe. Não sabia como voltar e já estava razoavelmente tarde e as ruas, a oeste da minha casa, são estritamente residenciais, sem muita luz e cheias de "council buildings" - os prédios populares do estado, cheios de gangues não muito amigáveis. Aí eu lembrei do frio. Aí eu senti um ônibus inteiro olhando pra mim esperando por uma atitude. Eu não podia, simplesmente não podia, descer daquele ônibus quieta como se nada tivesse acontecido. Ia ser uma ofensa não só ao meu orgulho e direito de cidadã como ao orgulho do ônibus inteiro. Do jeito que eles me olhavam, talvez do país inteiro. E lá fui eu bater na janelinha do mister driver.

- "Excuse me".

Mr. Driver só olha pra mim.

- "I pressed the button and you didn`t stop and now I don't know how to go back." (ok, nessa hora eu percebi que estava com o approach totalmente errado, devia estar gritando e xingando e não fazendo cara de coitada).

Mr. Driver continua olhando pra mim sem falar nada. (Será que eu tenho tanta cara de inofensiva, não mereço nem um resmungo de volta? Ele não estava me levando a sério).

- "You didn't stop!!! I pressed the button for you to stop this bus (devia ter colocado um "fucking" ou um "bloody" entre o this e o bus, eu sei) and you didn't!!! (cara de brava, tom de voz elevado, público mais satisfeito)

Mr. Driver balança a cabeça negativamente.

- "How will I go back, now? I don't even know the way back!!!!"

Mr. Driver não fala nada.

E lá vou eu pra porta de saída do ônibus, bufando como uma inglesa que se preze.

Pelo menos eu não decepcionei meus colegas.

Pelo menos eu demonstrei insatisfação.

Tudo bem, eu não ameacei o mr driver de caçar a licensa dele.

Nem xinguei e não falei "fuck" nenhuma vezinha.

Droga, tenho muito o que aprender.

Tuesday, October 23, 2007

As cores do outono




(Reparem que eu queria ter tirado uma foto apenas da nossa casa com a árvore, mas essa pessoa desagradável fez questão de parar o carro bem em frente da nossa porta..)





O presente que eu quero de natal = Coisas que só um país frio tem



Que eu sou difícil de acordar, todo mundo sabe. A fama já está literalmente se tornando internacional.
Que faz frio demais aqui pra cima e que isso torna o ato de acordar ainda mais difícil, todo mundo também sabe.
Que além de ser difícil levantar da cama pelo frio propriamente dito, também existe o fator "winter blues", ou seja, a deprê do inverno, algumas pessoas desconfiam. Eu mesma já tinha levantado aqui neste blog a suspeita de que o sol deixa - mas deixa mesmo, quimicamente falando - a gente mais feliz.

E agora está tudo comprovado pela Philips. A empresa acaba de lançar em Londres a sua campanha para um produto chamado "Wake-up light".
Ele é um despertador que te acorda simulando o nascer do sol, para que você acorde de forma mais natural na escuridão do inverno, e também emite uma luz X que "afeta os hormônios da energia" para fazer você se sentir mais bem-disposto.

Não é incrível?

Tá escolhido meu presente de natal.

Wednesday, October 17, 2007

meus 27 anos em Londres


Eu, Chris e Nandinho em frente à livraria do Hugh Grant (vocês assistiram "Um lugar chamado Notting Hill", eu espero)


Todos nós e a Tower Bridge no passeio turístico (esse foi o de número 5.672)


No jantar de comemoração do meu aniversário - First Floor, Portobello Road
Rô, Ric, eu, Chris, Nando, Manu e James

Os Loews em Londres


Nós e minha sogrinha em frente às pedras de Stonehenge (umas pedras antigas perdidas na beira da estrada, que por algum motivo ficaram muito famosas. por mais que eu tentasse, não consegui sentir as vibrações. talvez porque haviam uns 500 turistas junto conosco dividindo a energia.)


Nós à beira do Canal da Mancha (Isle of Wight)

Demora, mas não falha.

Finalmente algumas fotos das nossas últimas visitas, que animaram nossa primavera e nosso começo de outono com suas presenças :-)

Se eu pudesse colocar aqui tantas fotos quanto elas merecem, isso aqui seria um álbum e não um blog.

Mas como não dá (o sistema é feito para textos e de vez em quando ele deixa colocar alguma imagem), seguem os nossos queridos em alguns dos momentos especiais que vivemos com eles nos últimos meses enquanto este blog hibernava...

(continua no próximo post)


Tia Prisca (versão menina do meu pai) e primos da Itália + James, o vizinho Canadense


Tia Prisca e eu fazendo um safári em Londres (Richmond Park)

Tuesday, October 16, 2007

O frio

Hoje está um dia frio e feio. Eu acordei com a garganta tão inchada e dolorida que não conseguia engolir. E fiquei em casa tentando acelerar o trabalho da pós, que ainda não pegou no tranco.

Aí fiquei olhando pela janela, lá fora, as folhas caindo das árvores e o inverno se anunciando. A previsão do tempo para os próximos dias não é animadora: a mínima para amanhã é de 5 graus, para depois é amanhã é 4 e depois 3. Me deu uma daquelas vontades, que de tão forte até doem, de estar no Brasil. No Brasil as pessoas dão um jeito de fugir da depressão: junho é frio? Vamos fazer festas juninas, com fogueira e quentão! E por aí vai. O frio do Brasil é mais aconchegante - mesmo no frio a gente dá um jeito de fazer festa e se animar. Aqui não tem isso, não. Chega o frio e uma onda de tristeza e mal-humor toma conta da gente. E já começou. No Brasil tudo é desregrado... e acho que é isso que é responsável por todos os charmes e por todas as desgraças da nossa terrinha.

Ah, a terrinha...

Monday, October 08, 2007

Balanço de 8 meses Londrinos

- Panturrilhas muito, mas muito mais fortes;
- Unhas que nao vêem uma manicure há meses;
- Talento pra cozinha subiu de 1 para 8 (entre 10);
- Talento para faxina subiu de 0 para 4 (entre 10);
- Inglês subiu de bom para bem bom, enquanto o português caiu de bem bom para maomeno;
- Depilação? O que é isso mesmo?
- Felicidade não é mais pegar uma rua sem trânsito. É pegar um vagão do trem com assento livre;
- Já imaginou sentir tédio ao ver a Tower Bridge? Pois é. (levamos 5.672 pessoas lá);
- Me apaixonei por um lugar magico chamado Selfridge's. Bem mais mágico que Stonehenge. Só que esse leva à falência;
- Minha noção de estética, especialmente para quadros, cores de almofadas e plantas está bem mais apurada;
- O copo de chopp cresceu e virou um pint de Guiness;
- Estou sabendo de tuuudo o que acontece com a Brit(ney), a Posh e a Kate (Moss). E das suas inúmeras internações na rehab também;
- Os pais da Maddy (Madeleine, a que sumiu) espirram e eu fico sabendo no minuto seguinte;
- Programa preferido anti-stress no fim do dia: sentar na primeira fileira do segundo andar do ônibus e ficar vendo a vista;
- Me acostumei tanto a ver mulheres de burka e homens de turbante andando nas ruas que nem estranho mais. E se não são eles, são italianos, franceses, indianos, portugueses, brasileiros, australianos. Aliás, estou louca pra achar um inglês de verdade - se alguém souber de algum que esteja em Londres, me avisa?

Huck x Ferréz

Ainda falando sobre o triste tema: Luciana Huck foi assaltado, e escreveu semana passada um texto que foi publicado na Folha / UOL. O texto era revoltado, meio que como o meu, um grito pedindo socorro como muitos que temos escutado.

E já que eu gosto de polêmica, segue um texto contando o outro lado da história.

Pensamentos de um "correria"
FERRÉZ


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"Ele não terá homenagem póstuma se falhar. Pensa: "Como alguém usa no braço algo que dá pra comprar várias casas na quebrada?"
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ELE ME olha, cumprimenta rápido e vai pra padaria. Acordou cedo, tratou de acordar o amigo que vai ser seu garupa e foi tomar café. A mãe já está na padaria também, pedindo dinheiro pra alguém pra tomar mais uma dose de cachaça. Ele finge não vê-la, toma seu café de um gole só e sai pra missão, que é como todos chamam fazer um assalto.
Se voltar com algo, seu filho, seus irmãos, sua mãe, sua tia, seu padrasto, todos vão gastar o dinheiro com ele, sem exigir de onde veio, sem nota fiscal, sem gerar impostos.
Quando o filho chora de fome, moral não vai ajudar. A selva de pedra criou suas leis, vidro escuro pra não ver dentro do carro, cada qual com sua vida, cada qual com seus problemas, sem tempo pra sentimentalismo. O menino no farol não consegue pedir dinheiro, o vidro escuro não deixa mostrar nada.
O motoboy tenta se afastar, desconfia, pois ele está com outro na garupa, lembra das 36 prestações que faltam pra quitar a moto, mas tem que arriscar e acelera, só tem 20 minutos pra entregar uma correspondência do outro lado da cidade, se atrasar a entrega, perde o serviço, se morrer no caminho, amanhã tem outro na vaga.
Quando passa pelos dois na moto, percebe que é da sua quebrada, dá um toque no acelerador e sai da reta, sabe que os caras estão pra fazer uma fita.
Enquanto isso, muitos em seus carros ouvem suas músicas, falam em seus celulares e pensam que estão vivos e num país legal.
Ele anda devagar entre os carros, o garupa está atento, se a missão falhar, não terá homenagem póstuma, deixará uma família destroçada, porque a sua já é, e não terá uma multidão triste por sua morte. Será apenas mais um coitado com capacete velho e um 38 enferrujado jogado no chão, atrapalhando o trânsito.
Teve infância, isso teve, tudo bem que sem nada demais, mas sua mãe o levava ao circo todos os anos, só parou depois que seu novo marido a proibiu de sair de casa. Ela começou a beber a mesma bebida que os programas de TV mostram nos seus comerciais, só que, neles, ninguém sofre por beber.
Teve educação, a mesma que todos da sua comunidade tiveram, quase nada que sirva pro século 21. A professora passava um monte de coisa na lousa -mas, pra que estudar se, pela nova lei do governo, todo mundo é aprovado?
Ainda menino, quando assistia às propagandas, entendia que ou você tem ou você não é nada, sabia que era melhor viver pouco como alguém do que morrer velho como ninguém.
Leu em algum lugar que São Paulo está ficando indefensável, mas não sabia o que queriam dizer, defesa de quem? Parece assunto de guerra. Não acreditava em heróis, isso não!
Nunca gostou do super-homem nem de nenhum desses caras americanos, preferia respeitar os malandros mais velhos que moravam no seu bairro, o exemplo é aquele ali e pronto.
Tomava tapa na cara do seu padrasto, tomava tapa na cara dos policiais, mas nunca deu tapa na cara de nenhuma das suas vítimas. Ou matava logo ou saía fora.
Era da seguinte opinião: nunca iria num programa de auditório se humilhar perante milhões de brasileiros, se equilibrando numa tábua pra ganhar o suficiente pra cobrir as dívidas, isso nunca faria, um homem de verdade não pode ser medido por isso.
Ele ganhou logo cedo um kit pobreza, mas sempre pensou que, apesar de morar perto do lixo, não fazia parte dele, não era lixo.
A hora estava se aproximando, tinha um braço ali vacilando. Se perguntava como alguém pode usar no braço algo que dá pra comprar várias casas na sua quebrada. Tantas pessoas que conheceu que trabalharam a vida inteira sendo babá de meninos mimados, fazendo a comida deles, cuidando da segurança e limpeza deles e, no final, ficaram velhas, morreram e nunca puderam fazer o mesmo por seus filhos!
Estava decidido, iria vender o relógio e ficaria de boa talvez por alguns meses. O cara pra quem venderia poderia usar o relógio e se sentir como o apresentador feliz que sempre está cercado de mulheres seminuas em seu programa.
Se o assalto não desse certo, talvez cadeira de rodas, prisão ou caixão, não teria como recorrer ao seguro nem teria segunda chance. O correria decidiu agir. Passou, parou, intimou, levou.
No final das contas, todos saíram ganhando, o assaltado ficou com o que tinha de mais valioso, que é sua vida, e o correria ficou com o relógio.
Não vejo motivo pra reclamação, afinal, num mundo indefensável, até que o rolo foi justo pra ambas as partes.


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REGINALDO FERREIRA DA SILVA , 31, o Ferréz, escritor e rapper, é autor de "Capão Pecado", romance sobre o cotidiano violento do bairro do Capão Redondo, na periferia de São Paulo, onde ele vive, e de "Ninguém é Inocente em São Paulo", entre outras obras.
Leia o artigo de Luciano Huck em www.folha.com.br/072801

Wednesday, October 03, 2007

Vendo de fora, fica pior

Cá estou eu retomando minhas atividades neste blog após quase 2 meses ensaiando. Tenho pensado muito em muitas coisas para escrever. Todo dia acontece alguma coisa, ou eu vejo alguma coisa, e escrevo um texto mentalmente enquanto pego o metrô ou ando até em casa. Mas áté chegar no computador, o texto se desfez e a inspiração daquele momento foi substituída pelas tarefas domésticas ou profissionais e o blog acaba ficando para depois, esperando um momento em que oportunidade e inspiração se encontrem novamente.

Eu gostaria de retomar meus pensamentos aqui com notícias boas ou histórias divertidas. Mas não consigo ignorar uma angústia que tem me perseguido nos últimos dias, alimentada pelas notícias que ando tendo do Brasil.

Estou aqui, neste país distante e pequeno, ilhada e coberta por nuvens. Este país pequeno mas notável, que protege sua economia, que usa como argumento para vender mais o fato de que seus produtos são 100% britânicos. E se não são, vêm com uma enorme etiqueta explicando o que é Fairtrade e atestando que os produtores daquela banana - normalmente de países em desenvolvimento - receberam o valor justo pela sua produção. Este país que parece frio mas que vai conquistando aos poucos pela seriedade com que trata dos assuntos sérios e pela liberalidade com que aceita o novo. E foi aqui, protegida pela segurança de um país que zela pelas suas pessoas, que recebi as últimas notícias do Brasil distante.

Alguém levou um tiro. Alguém próximo, pai de quem me deu a notícia. Na Marginal Pinheiros, ali mesmo, onde passei todos os dias durante anos enquanto trabalhava na Ed. Abril, e continuei passando depois. Ali onde quase todos os meus amigos passam todo dia. O trânsito estava congestionado e o ladrão bateu com o revólver na janela da vítima. A vítima, de carro blindado, ignorou. Fingiu que não estava vendo e continuou olhando pra frente. O ladrão parou a moto em diagonal na frente do carro, com a maior calma do mundo, e atirou. Simples assim, no meio dos carros, em plena avenida, à luz do dia. Assim, normal.

Não, o pai do meu amigo não morreu, porque estava de carro blindado. Porque a família tem dinheiro ganho com trabalho e suor, merecidamente, e não pode ir e vir livremente. Mas e quem não tem? (Diga-se de passagem, praticamente todo mundo.)

O mais triste dessa história é que vocês devem estar lendo este texto e se perguntando "tá, mas cadê a novidade? Por que ela está tão revoltada?"
Estou tão revoltada porque sei que isso não está certo, porque estou vivendo de forma mais humana, estou vendo de fora o tamanho do absurdo brasileiro. Porque estou num lugar onde se um ladrão de galinhas entra na sua casa pensando que vai só pegar umas coisinhas e sair despercebido, a polícia chega com uma equipe enorme 3 minutos depois fazendo perguntas e tirando digitais. Porque o que é seu é seu e ninguém tem o direito de invadir. Porque o normal é ter porque se trabalhou e mereceu, e não porque roubou. Se você tem dinheiro, o pobre vai te admirar e não te odiar. Mas vamos combinar que o pobre aqui é bem mais rico que o pobre daí.

Tá tudo errado.

Tirar algo do outro já é errado.

Tirar a vida, é inadmissível.

Por favor, não se acostumem com isso, não achem que é normal. Não é!!! Eu estava acostumada. Precisei sair pra olhar de fora e enxergar o tamanho do escândalo. Espero nunca mais me acostumar. Eu sou mais uma brasileira apaixonada pelo Brasil, pela sua alegria de viver, pelas suas pessoas, que está com medo do Brasil. É triste dizer isso, e eu vou voltar, mas estou com medo. Eu aprendi a andar sem medo pelas ruas, e não sei como será quando eu tiver que desaprender.

Friday, August 10, 2007

O Museu

Uma das coisas que eu tinha em mente quando vim pra Londres, sabendo que arrumar um trabalho em marketing poderia ser mais demorado e complicado, era trabalhar em um museu. Eu tinha a impressão de que seria um trabalho tranquilo e enriquecedor, se comparado aos trabalhos em loja ou restaurante que a brasileirada aqui faz.

Quando, por acaso, eu encontrei aqui perto de casa um museu lindinho, escondidinho numa rua silenciosa, só de embalagens, marcas e propagandas, achei que estava tendo uma visão. Museu + propaganda numa coisa só!

Fui lá perguntar, na maior cara-de-pau, se estavam com alguma vaga aberta. Como nada é perfeito, não, não tinham vaga. Mas estavam precisando de voluntários. Apesar de eu ter que começar a ganhar dinheiro - é um fato, não seria de todo mau começar a ter contato com pessoas inglesas de verdade (depois da experiência traumática da revista brasileira) e empresas patrocinadoras do museu, além de exercitar o inglês, me ocupar e ter no currículo um trabalho num museu bacana desses.

Então, hoje eu comecei. O museu é lindo, os visitantes saem sorrindo e é, na maior parte do tempo, tranquilo. A minha companheira voluntária de hoje era uma paquistanesa apaixonada por sapatos, que ficou a manhã inteira me fazendo mostrar pra ela os sites das sapatarias brasileiras.

Ela também desabafou comigo que não quer voltar pro Paquistão de jeito nenhum, porque os pais dela estão arranjando um casamento pra ela. E ela quer escolher o próprio marido. Mas ao mesmo tempo, se ela aparecer com um marido que tenha conhecido aqui em Londres, eles deserdam. Enquanto ela contava essa história, fiquei imaginando o carnaval na Bahia. Meu Deus. Como pode um planeta só ter opiniões tão diferentes?

Esse é o site do museu, vejam que bonitinho que ele é: http://www.museumofbrands.com/

E se alguém quiser organizar um grupo pra visitar, é só falar comigo que eu faço desconto ;-)

Thursday, August 09, 2007

...

Este post é só pra dizer que reconheço o meu fracasso em cumprir, logo no segundo dia (e no terceiro e no quarto e no quinto também), a promessa que fiz. Não sei porque eu ainda acho que um dia posso ser uma pessoa decente que consiga manter uma disciplina qualquer.

Mas eu juro que fiquei com uma infecção no ouvido que não me deixava nem raciocinar e assim que eu melhorei chegou a minha tia e agora eu saio cedo e chego tarde e cansada porque fico fazendo turismo com ela o dia todo.

Mas não pensem que estou só passeando por aí.

Entre um Big Ben aqui e uma National Gallery ali, consegui reunir os documentos e ir lá na London School of Marketing e estou matriculada.

E amanhã terei mais novidades mas eu só vou contar amanhã.

E boa noite.

Thursday, August 02, 2007

Essas promessas que a gente faz

Eu prometi pra mim mesma (e cometi o engano de contar isso pra alguns amigos) que eu ia escrever todos os dias. Pra não perder o fio da meada e pra exercitar.

Só que, depois de algumas taças de vinho, está difícil achar inspiração pra escrever sobre o aquecimento global que não têm aquecido muito a Inglaterra (e pelo visto, o Brasil também não), ou sobre os costumes excêntricos britânicos ou sobre a procura desesperada de emprego.

Então vou contar que hoje recebemos nossos vizinhos franceses, que têm sido uns amores. Eles deixam revistas especializadas em marketing quase todos os dias na minha caixa de correio e hoje trouxeram a Lilou, a filha fofa de 1 ano deles, aqui em casa.

Não sei como, mas o papai francês conseguiu fazer uma acrobacia com a taça de vinho que sujou, ao mesmo tempo:

- o sofá;
- o tapete;
- o nosso globo que estava na prateleira a uns 2 metros do acidente;
- a camisa dele inteira;
- a mesa;
- a almofada.

Ainda bem que existe Vanish, que tira as manchas em segundos! (o que seria de mim se eu não tivesse atendido a Reckitt Benckiser?)

Além disso, também fui encarregada de regar as plantinhas deles enquanto eles estiverem de férias na Bretanha.

O Ric está assistindo Heroes na nossa nova TV super mega fashion, e eu estou caindo de sono. E ainda tenho que ler mais algumas páginas do Harry Potter que eu não li NENHUMA hoje.

Boa noite a todos e usem Vanish!

Wednesday, August 01, 2007

Mais sobre o sol

Temos uma amiga aqui em Londres, a Manu, que uma vez veio com uma teoria de que as pessoas precisavam de sol. Digo, no sentido de combustível mesmo, fisicamente. Que o sol liberava partículas de sei lá o quê no corpo da gente, e de alguma forma deixava a gente mais feliz. Achei a teoria meio pirada, mesmo porque tenho um marido que detesta muito sol e curte muito mais um friozinho, que não deixa ele suando que nem um louco.
Mesmo porque, o que seria da população das cidades onde chove muito ou faz muito frio, se essa teoria fosse verdadeira?

Mas depois de cinco meses de frio, primeiro no inverno e primavera de Londres e depois em São Paulo, nós fomos para Veneza. Em pleno verão. Não o verão de Londres: verão do mar Adriático, verão de 40 graus. E eu fiquei feliz, muito feliz, sem entender muito o porquê. Sair do hotel e sentir aquele bafo quente e aquele cheiro de mar fez alguma coisa comigo que eu não sei o que foi, mas foi bom. E aquelas casinhas todas coloridinhas, com flores nas janelas? E todo mundo andando de shorts e sandálias? E a sensação de tomar um sorvete ou chá gelado, enquanto uma gotinha de suor desce pelo seu pescoço? Delícia.

Não é só o sol. É o que ele faz com as pessoas. Se elas se sentem melhor, elas fazem coisas mais bonitas, mais alegres. Eu nunca consegui entender a razão pela qual os ingleses não se importam em ter suas casas todas iguaizinhas, de tijolo ou no máximo pintadas de branco. Aqui em Notting Hill, vá lá, alguns ainda pintaram de outras cores. E esse é o maior charme do bairro. Sério.

Talvez seja algo pessoal - isso é importante pra mim, me faz bem, porque eu tenho histórico da vida inteira passando férias na praia, torrando no sol, tomando caipirinha e cerveja gelada. Esse clima quente e colorido faz parte do meu "om", como diz nosso vizinho James. O "om" é o seu lugar físico, segundo ele, no qual você se sente mais perto do êxtase, do prazer físico e espiritual.

Aqui em Londres estou muito longe do meu "om" - que depois de alguma reflexão eu concluí que deve ser boiando no mar de Guaecá e sentindo o sol torrando meu rosto. Estou longe dos meus amigos e da minha família, que são importantes pra mim como eu só fui entender quando me afastei. Estar longe faz a gente entender as coisas melhor.

O Brasil não é o país melhor pra se viver, definitivamente. Um lugar onde você corre o risco de morrer parado num sinal, não pode ser. Um lugar onde a pobreza se multiplica, onde barracos servem de casa pra tanta gente, não pode ser. E eu estava louca pra sair do Brasil por isso, porque eu tinha medo. E agora vejo que o que vale a pena é estar perto das pessoas queridas. É poder, numa noite quente, tomar uma cerveja gelada com papo furado, ou não, com alguém querido. É poder ter tanto sol e calor que quando faz frio, a gente fica feliz de poder comer um fondue e ficar embaixo das cobertas.

Sem dúvida, vir pra Londres me fez gostar mais do Brasil. E descobrir que sim, eu preciso do sol.

Felicidade é ter CINCO dias seguidos de sol.

De volta a Londres

Terça-feira, onze horas de uma manhã ensolarada em Londres, e o meu celular começa a tocar. O número que aparecia na tela era desconhecido, o que, em tempos de distribuição de currículo, faz o coração bater.

Era o policial. Responsável pelo caso do ladrão ousado que pulou a janela aqui de casa pra pegar uma coisinhas no caminho pra casa dele.

O policial queria saber como foi o casamento e desejar felicidades.

Tuesday, June 12, 2007

A mudança das estações

Essa era a vista da nossa janela, no fim de março.


... e essa é a vista da nossa janela ontem!

Este Blog NÃO foi abandonado!

Todos vocês sabem que estamos numa contagem regressiva deliciosa e alucinante. Para voltar para o Brasil, para rever todo mundo, e claro, para o casamento!

É impressionante como a gente consegue se ocupar mesmo sem estar trabalhando. Sempre aparece alguma coisa para fazer. Uma casa nunca está perfeita: sempre tem uma faxina aqui, um cesto de roupas pra lavar ali, uma prateleira pra arrumar. Isso sem contar os e-mails e trocas de informações com o Brasil sobre o casamento e seus inúmeros desdobramentos - chá-bar, teste da maquiagem, prova do vestido, roupas dos padrinhos, lua de mel, etc etc etc. E também um monte de amigos pra gente colocar o papo em dia pelo messenger, skype ou afins.

Mas tudo isso só para dizer que estivemos incrivelmente ocupados nesses últimos dias, e pela própria natureza da ocupação, sem muitas notícias para o Blog.

Mas também tivemos duas visitas muito especiais na semana passada e no fim de semana que merecem uma fotinho aqui no blog!

Dona Dri Spaca com seu marido Lubo Farofa, queridíssimos, que fizeram uma paradinha em Londres entre um país e outro de uma viagem incrível, e nosso super cunhado Xande, que passou por aqui no fim de semana e que nos proporcionou uma companhia maravilhosa!

Viva as pessoas que vêm nos visitar! :-)
Será que elas imaginam o quanto a gente fica feliz em ter perto de nós as pessoas queridas???


Sunday, June 03, 2007

Mais Amsterdam

O abraço grátis na praça...



...a bolacha do chopp...



...e a lembrança do Brasil.

Saturday, June 02, 2007

Amsterdam - a cidade das bicicletas

Eu sempre digo que o ser humano tem uma capacidade incrível de se adaptar às as coisas.
A gente pode ver uma coisa pela primeira vez e achá-la esquisitíssima. Mas depois de um tempo convivendo com ela, não vamos achar mais tão esquisito assim.
Sou totalmente leiga no assunto ciência-genética-medicina ou sei lá que área é essa, mas meu feeling (que costuma funcionar) me diz que essa é uma característica que vem conosco desde os primórdios da nossa existência, uma questão de defesa do ser humano mesmo.
Deve ser por isso que os brasileiros não se revoltam mais com o fato de ter gente morrendo a tiros toda hora, vítimas da violência gratuita. Também deve ser por isso que, durante a guerra, milhares de pessoas viveram em porões e estações de metrô, em condições sub-humanas, e sobreviveram. E também deve ser por isso que estou quase começando a achar as Crocs bonitinhas (socorro). O ser humano se acostuma, e se adapta, a (quase) todas as situações.

E Amsterdam é a prova disso. Cidade liberal, promíscua, sexual. E também linda, civilizada, com seus canais e bicicletas.
É uma cidade que pode chocar à primeira vista, pra cinco minutos depois te ensinar a se sentir à vontade.

Sex-shops em seqüência por ruas e mais ruas próximas ao distrito do red light. Um monte de gente entrando e saindo sem a menor cerimônia.
Dois quarteirões depois, você se pega entrando em um também. Afinal, isso é programa típico. Em Roma, como os romanos (e neste caso, bastante influenciado por Bacco).
Sé é que existe algum tipo de estereótipo de freqüentador de sex-shop, definitivamente não é ele que você vai encontrar em um de Amsterdam. Grupos de mocinhas curiosas, casais discretos, senhores e senhoras de idade, todos analisando as prateleiras e seus apetrechos como se estivessem diante de uma prateleira de sapatos. Ou qualquer outra coisa bem comum e rotineira.
E você, de repente, se pega olhando para um objeto assustadoramente enorme sem ao menos ficar vermelho. E o cara do seu lado escolhe um deles, pega e leva pro caixa, e você nem acha aquilo estranho.

Refletindo sobre isso, cheguei à conclusão de que o red light district é fichinha perto dos sex-shops e coffee-shops (que são a mesma coisa, mas na versão drogas ao invés de apetrechos sexuais). Depois disso, nem vale a pena escrever sobre as moçoilas de lingerie nas vitrines. O interessante é ver gente comum participando do incomum, isso sim.

O que Amsterdam é, na verdade, é um balde de realidade jogada na sua cara. Tudo o que existe em qualquer cidade, em qualquer país do mundo, mas de forma escancarada e sem vergonha. Se isso faz as pessoas que moram lá perderem mais o rumo do que nas cidades onde isso tudo é proibido? Acho que não. Quem faz, faz em qualquer lugar, proibido ou não. Aliás, o fato de ser tudo tão aberto me deu a sensação de uma consciência muito maior.

Se eu levaria meus filhos pequenos para passear no red light, como vi muitos pais fazendo? Não.
Ainda acho que tem tempo certo para descobrirmos a nossa capacidade de nos acostumar com tudo.
E, onde a realidade é tão escancarada assim, a inocência vale ouro.
Ainda bem que tem os canais e as bicicletas para fazerem a gente sonhar.